Currais, pocilgas, galinheiros e cobertura espiritual

Por Renato Vargens

Há pouco estava conversando com um amigo que me relatou que um apóstolo de sua cidade, havia transformado sua igreja em um "curral eleitoral". Incomodado com isto, resolveu confrontar o apóstolo afirmando-lhe de que não era correto manipular o povo de Deus em detrimento a valores escusos. No entanto, para surpresa do meu amigo, o apóstolo respondeu dizendo: Eu faço curral, pocilga e galinheiro e tudo mais que a minha cobertura espiritual ordenar.

Caro leitor, se não bastasse o absurdo de fazer do povo de Deus massa de manobra, esse profeteiro do diabo acredita e dissemina doutrinas absolutamente antagônicas aos ensinos das Escrituras. Há pouco, Renê Terra nova afirmou que o motivo de João Batista ter sido decaptado  se deveu ao fato de ter duvidado da autoridade de Jesus,  introjetando sorrateiramente  sobre os seus liderados o falso ensino de que ele como patriarca apostólico não pode ser questionado, mesmo porque, se alguém o fizer sofrerá severas consequências espirituais.

Pois é,  para as igrejas que adotam o sistema de cobertura, o discipulo não pode fazer absolutamente nada sem a autorização do seu "discipulador". Nesta perspectiva, o pastor tem poder para determinar aquilo que o seu seguidor deve fazer. Sei de casos de pessoas que não podem mudar de casa sem que o pastor concorde, ou de outros que não podem vender absolutamente nada, sem que a autoridade espiritual aceite o fato. Além disso, é comum observarmos que os pastores em questão, usam do nome de Deus para decidir se o discípulo deve ou não namorar, se pode ou não ir para a praia, se deve ou não ter filhos, ou como deve se portar dentro de suas próprias casas. Tais lobos interferem na da vida comum do lar, intervindo na educação dos filhos ou até mesmo na vida sexual do casal.

Infelizmente tais homens,  ditadores da fé, têm feito do rebanho de Cristo sua propriedade particular.  Em estruturas como estas, é absolutamente comum exigir-se dos crentes, submissão total. Em tais comunidades, a vida cristã é regida exclusivamente por um sistema onde ditadura e arbitrariedade se misturam.

Para nossa vergonha, aqueles que porventura ousam opor-se a este estilo de liderança, sofrem sanções das mais estapafúrdias possíveis sendo chamados de rebeldes e tornando-se passíveis de punição, cuja consequência final é a exclusão e exposição pública.

Há pouco soube da história de uma moça que ao migrar de comunidade para outra foi amaldiçoada pelo pastor, que lhe disse que caso não se arrependesse e voltasse para a sua igreja morreria de câncer. Ora, por favor, pare e pense: Isso não parece macumba? Sinceramente em não consigo entender este evangelho pregado pelos lobos da fé. Infelizmente, em nome de Deus, tais pessoas rogam “pragas e desgraças” para aqueles que em algum momento da vida se contrapuseram a seus sonhos e vontade. Em certas igrejas a palavra “rebeldia” tem sido usada para todo aquele que foge dos caprichos fúteis de uma liderança enfatuada. Em tais comunidades, discordar do pastor quase que implica com que o nome seja colocado na “boca gospel do sapo”.

Se não bastasse esse grande imbróglio, os membros das comunidades despóticas vivem em constante estado de pavor, isto porque, em virtude do pânico impetrado pelos ditadores da fé, temem sofrer sanções espirituais, levando-os a uma vida cujo comportamento é quase que esquizofrênico.

Isto posto, sou obrigado a afirmar que a igreja evangélica mergulha em alta velocidade no buraco da sincretização, deixando pra trás valores, virtudes e princípios como afetividade, amor e respeito.

Amados, não nos esqueçamos que somos o povo Deus, nação santa, sacerdotes do Deus vivo. Na perspectiva do reino, todos absolutamente TODOS possuem acesso ao trono da graça não necessitando assim criar estruturas monárquicas fundamentadas em experiências muitas das vezes esquizofrênicas e adoecedoras. Quero ressaltar que para nós cristãos, a essência da igreja resumi-se na maravilhosa verdade que nos ensina que fomos chamados para fora deste sistema perverso, ambíguo e separatista, e que agora, independente de classe, cor, posição social, reunimo-nos TODOS indistintamente em torno do Cristo nosso Senhor como a comunidade dos santos.

Soli Deo Gloria,

Renato Vargens

11 comentários:

João Batista, apóstata?? era só o que faltava.
sem mais.

Anônimo
20 de setembro de 2010 15:27 comment-delete

Muito bom o artigo!
Precisamos nos despertar e não nos calarmos diante destes ditadores, que mais tem escravizado o povo de Deus do que levado eles para perto do Pai celestial!

20 de setembro de 2010 15:51 comment-delete

Lindo! Muito obrigada!
Abs, Amanda.

20 de setembro de 2010 15:59 comment-delete

Prezado colega Pr. Renato,
muito bem exposto. Chega dessa aberrações em nome de uma fé inócua e debilitante.
Parabéns
Um abraço
Em Cristo

20 de setembro de 2010 16:15 comment-delete

Este artigo expressa de forma escrita o que tenho dito durante muito tempo a todos que me cercam e de certa forma passaram ou ainda passam por estas situações dentro das suas congregações.Acredito na suprema autoridade do evangelho e tenho tido pouco a pouco grandes decepções ligadas a esta doutrina ditatorial.
Precisamos chamar as pessoas e conversarmos para que o povo do Senhor não seja levado para onde o seu Senhor não mandou.Eu me converti ao Senhor dentro de uma igreja aqui no Rs que é referência deste modelo e participei de muitos procedimentos que ao meu ver estavam de acordo com as escrituras, mas de um tempo pra cá muitas coisas tem me feito ser um grande combatente desta manipulação disfarçada de vontade de Deus.São principios que sofrem distorções, revelações para estribar verdadeiros absurdos e o povo que é em sua maioria conivente pelo fato de sofrer, com medo,das sanções acaba se calando ou então aceita de forma indignante este tipo de coisa.
para acabar quero dizer que este artigo deve ser difundido por aqueles que amam o Senhor e crêem no evangelho do Senhor Jesus. Absolutamente tudo que esta escrito neste artigo é veradade e por isso me identifico porque vivi e vejo hoje muitos debaixo deste evangelho serceador da verdadeira liberdade biblica.
um abraço a todos e conte sempre comigo.Deus os abençoe.

20 de setembro de 2010 16:34 comment-delete

Meu bom pastor Renato Vargens

Esse negócio de amor, respeito e afetividade, já era!
O ecletismo, infelizmente, já não é mais uma simples tendência a julgar pelas ações dos mega-pastores.
A igreja já está se revolvendo nesta chafurda, pervertendo-se em nome das falácias da ignominiosa teologia da prosperidade.
Observe que, por ai, já estão fazendo campanhas de captação de "ofertas voluntárias" com prêmios para os pastores que atingirem metas estabelecidas por certas igrejas ou, se o amigo não entender, por certo bancos.
A 3ª trombeta foi tocada - um terço das águas já estão envenenados.
Acuda-nos Senhor!
Alberto

20 de setembro de 2010 22:44 comment-delete

Agradeço sua exposição desta matéria da profecia moderna. Seus blogs sempre são ilucidantes e objetivos. Quem sabe poderíamos resolver o problema de falsos profetas se aplicássemos as mesmas disciplinas que se aplicavam no VT, não é?

Penso que o rótulo de "Evangélico" no Brasil hoje na verdade tem muito pouco do Evangelho. Acho que a igreja muito pouco reflete a santidade e a compaixão dAquele que por ela morreu. É sim um grande negócio.

Mas também acredito que, se a verdadeira igreja de Jesus se arrependesse de sua arrogância e voltasse o foco para o Autor de sua fé, se saísse da postura defensiva, e partisse para a ofensiva como um sal de carater forte e saborizante, que talvez se tornaria novamente um refúgio para pessoas sem esperança.

E, quem sabe, evitaríamos a secularização em massa da próxima geração?

Não somos obrigados a seguir os passos de países como o Canadá e a Inglaterra. Creio que a igreja ainda pode tornar-se um referencial e um porto seguro para a geração que nos segue.

Mas para isso teríamos que parar de brincar de igreja, e a ser de fato!

21 de setembro de 2010 01:28 comment-delete

Francisco Marcelo Tavares.
Concordo Pr Renato por tudo que o senhor falou. Falta apenas batermos continência para estes homens quando o vermos em qualquer lugar. Jesus nos libertou mas eles nos tiram essa liberdade por meio de muito legalismo e doutrinas de homens. Sai de uma igreja por estava acontecendo mais ou menos isso que o sr falou. O pr é o dono e faz do jeito que quer. Acreditem: uma irmã foi expulsa da sua igreja por ter ido para um culto em outra da mesma fé e ordem. Que Deus abençoe esses coroneis do evangelho. Sou livre para servir a Deus. ninguem nos coloque debaixo do jugo da servidão. GL 1.10,16 5.1 Um abraço, em Cristo a todos.

Anônimo
21 de setembro de 2010 18:16 comment-delete

A Paz do Senhor.

O que me intriga é quando pessoas esclarecidas adentram esses currais. Eu fico impressionado como o povo deixa de ser rebanho para ser gado.
Mas, conseqüências diretas do excesso de cantoria e entretenimento gospel dessas igrejas em detrimento da pregação e estudo da Palavra de Deus.
Até quando veremos isso?

22 de setembro de 2010 11:54 comment-delete

Pr Rentato,

Que texto maravilhoso. Essa é a realidade da Igreja que faço parte, AD.

Deus o abençõe.

Graça e Paz
Mizael Reis

22 de setembro de 2010 23:50 comment-delete

Amado Pr. Renato,
Porque os membros dessas igrejas aceitam essa submissão?
A palavra de Deus é clara e está a nossa disposição.
Acredito que essas coisas acontecem porque esses crentes não confrontam os atos desses Ministros com a palavra de Deus, ou seja, são religiosos, frequentadores de igreja, mas não Cristãos verdadeiros, que, valorizam seu "a sós com Deus", analisando e estudando a Bíblia Sagrada.
O que acha?
Genilcio Cunha
1ª Igreja Batista Jardim Alcântara

24 de setembro de 2010 14:21 comment-delete