O mito da igreja perfeita.

Renato Vargens
Uma das características dos evangélicos brasileiros neste inicio de século é a constante mutação de seus membros. Acredita-se que pelo menos uma vez ao ano parte dos seguidores de Cristo mudam de igreja, alegando os mais diversos motivos, sendo que o principal destes é que a igreja que faz parte é cheia de problemas e distorções. Na verdade, tais pessoas fundamentam suas decisões migratórias na pseudo-verdade de que existem igrejas perfeitas, cuja liturgia eminentemente é marcada por algum fator preponderante que lhe agrade.

Particularmente eu conheço pessoas que em nome de Deus mudaram de igreja quase uma dezena de vezes. Para estas, o fato de existirem conflitos de opiniões ou divergência relacionais com os irmãos em Cristo, aponta exclusivamente para a retirada do time de campo. Ora, tal comportamento mostra claramente uma visão distorcida e equivocada quanto a Igreja, até porque, não existem igrejas perfeitas, pelo simples fato de que elas são compostas por homens imperfeitos. E o fato de não sermos perfeitos, impossibilita a constituição e formação de igrejas perfeitas.

Caro leitor, é bem possível que você tenha sido testemunha de inúmeros casos de pessoas que falharam em suas comunidades locais proporcionando ao seu coração mágoas, decepções e frustrações. Se em virtude disto você tem abandonado o barco usando do álibi da imperfeição, afirmo-lhe que está cometendo um grande equivoco, isto porque, são através das falhas, erros e distorções comportamentais de nossos irmãos que podemos colocar em prática as orientações de nosso Senhor.

Alguém certa feita disse: “A igreja é como a Arca de Noé. Lá dentro o cheiro pode ser insuportável, entretanto, é melhor estar dentro do que fora.”

Pense nisso!

Renato Vargens

9 comentários:

Renato Vargens, esse assunto é de suma importância no meio Cristão. Na verdade tenho testemunhado que geralmente quando o cristão começa a falhar nos fatores de base da vida cristã (oração, estudo da palavra, jejum e adoração) e começa a esfriar espiritualmente, a primeira coisa que ele faz é criticar a igreja que frequenta e principalmente a liderança. Isso ocorre pq quando estamos olhando para Jesus que é o alvo temos a revelação do Espirito Santo de como agir para cooperar com a igreja, mas quando desviamos nossos olhos de Cristo só enchergamos as circustâncias e os defeitos dos irmãos. Uma coisa que, ao meu ver justificaria uma mudança de congregação seria se no local onde frequento estivesse sendo pregado um evangélio que é anátema, e mesmo eu tendo tentado corrigir o pregador mostrando dentro da bíblia a contradição, ele ainda insistisse em ensinar o que vai contra a palavra absoluta de Deus.

Muito importante vc tocar nesse assunto tão sério.

Porém, permita-me discordar somente de um comentario. A Igreja de Deus é descrita na bíblia como uma noiva perfumada. Ela tem um aroma agradável ao Senhor. O livro de cantares representa bem a igreja, noiva como bela, agradavel e perfumada. O que tem mau cheiro é o pecado, mas somos justificados pelo sangue de Jesus. Assim vemos que o mal cheiro está fora da igreja do Senhor onde o pecado vigora.

A paz do Senhor esteja com vc.

Ene
12 de maio de 2009 10:46 comment-delete

Prezado Ene,

Concordo com vc quando diz que a Igreja é a noiva perfumada de Cristo. No entanto, acredito que esta afirmação em questão efetivamente se adequa a igreja invisivel e universal. Contudo, ao tratarmos especificadamente de igrejas locais percebemos nitidamente imperfeições e ambiguidades. Abraços,

12 de maio de 2009 11:17 comment-delete

Prezado Renato Vargens

Conforme foi falado não existe igreja ideal. Quem lê as epistolas de Paulo aos coríntios fica de cabelo em pé, tantos eram os problemas a assolavam: irmãos colocando os outros na justiça, inveja, relações sexuais ilícitas, dissenções, falta de ordem no culto, etc. Esse mesmo padrão repete-se hoje, cada igreja tem as suas mazelas.

O que cada cristão deve fazer é permanecer em sua igreja e pedir a Deus para ser usado como um agente de transformação, isso com a ajuda do Espírito Santo. Não estou falando sobre uma atitude de oposição aberta ao pastor da igreja, mas sim da utilização de meios legítimos de persuação, que possam gerar mudanças positivas na igreja.

A minha igreja tem passado por uma situação muito grave. Mais de 90% dos membros estão insatisfeitos com o pastor, vários irmãos já foram embora e outros estão prestes a sair.

Cientes da situação, nós, presbíteros e diáconos, dissemos ao nosso pastor que queríamos conversar com ele. Essa reunião aconteceu ontem e durou várias horas. Houve momentos de tensão, mas ao final, todos nós nos abraçamos, num ambiente de muita emoção.

Creio firmemente que essa reunião terá um resultado positivo. Acredito que nosso pastor porá em prática algumas de nossas idéias e a igreja voltará ao rumo.

Acho que o falta é isso, uma conversa franca. Colocar tudo pra fora, "desembuchar" como falam os nordestinos.

Abraços


Cristiano Santana
http://cristisantana.blogspot.com

12 de maio de 2009 11:21 comment-delete

Prezado Cristiano,

Obrigado pelo comentário!

Que o Senhor nosso Deus possa abençoar ricamente sua igreja neste momento de turbulências.

Abraços,

12 de maio de 2009 11:26 comment-delete

Esse é um assunto muito sensível e profundo. Não é simples falar sobre isso sem que se inicie uma "polemica". Heheh.

Quanto a mim, concordo discordando.

Simples: a caso e casos.

Exemplo: Alguém já citou que, à medida que um evangelho estranho entra algo precisa ser feito. O problema é que muitos dos pastores ditos "neo-pentencostais" colocam-se em posição de "donos" de suas comunidades e jamais terão humildade para abrir mão de suas convicções, nem mesmo se isso custar uma alma. Ou seja, são donos da verdade. Não erram nunca e ainda por cima, devotam total apoio à pessoas (irmãos ou irmãs) que são verdadeiros semeadores de contenda e discórdias em suas comunidades. Procedem como uma mãe que parece ter preferência por um filho em detrimento de outros. Isso acaba gerando mais e mais discórdia, pois a igreja é cheia de gente diferente e que amam muito pouco, o que hoje, parece não diferir muito de um clube qualquer.

Nesses casos, fica difícil a permanência. É claro que através da oração e do envolvimento com os ideais da comunidade é possível que as coisas possam melhorar, mas em suma, quando há uma sistemática de discórdia, fica complicado a convivência.

Não acredito que isso queira dizer que seja falta de amor entre irmãos, mas talvez até uma forma de evitar que isso aconteça.

Isso já aconteceu antes:

"E tal contenda houve entre eles, que se apartaram um do outro. Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre." (Atos 15 : 39.
Não acham que eles deram um péssimo exemplo que hoje é seguido por vários pastores que por contenderem com seus líderes vão e levam parte dos membros para um outro salão para formarem uma nova comunidade?

Não posso acreditar que por isso eles deixaram de amarem-se, do contrário, seria um evangelho contraditório e sem sentido.

Vejam outro exemplo:

"E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível." (Gálatas 2 : 11)

Então tá... Pedro pisa na bola e Paulo, o Apóstolo nascido fora de tempo, resolve repreendê-lo na cara... Quem sabe o deixando roxo de vergonha, ainda mais por ele ter sido “o Cara”... O Cara que era "assim" com o filho do Homem...
Será que por isso, Paulo deixou de amar a Pedro e vice-versa? Será que Deus teve que fazer um céu para São Pedro e outro para Paulo?

Que bobagem querer a qualquer custo segurar um irmão em suas comunidades mesmo sabendo que talvez ele deva ter sofrido angústia por um bom tempo, a ponto de gemer para não ter que tomar tal decisão. Por que ao em vez de criticar tal irmão não veja onde se está cometendo erros e não corrijam os erros... Por que não amar esse irmão que por ter passado poucas e boas nas mãos dos preferidos resolve buscar amigos de fé e de oração que cante a canção que diz: “Como é precioso irmão, estar bem junto a ti”... De forma sincera e honesta.

Anônimo
12 de maio de 2009 14:22 comment-delete

Pr Renato,
Esse assunto como muitos estao dizendo e polemico e tem suas ambiguidades.. Eu estarei aqui postando o que eu sinto e sei que estou a favor do que o Sr colocou sobre a situacao de muitos crentes nas nossas congregacoes; os chamados fulgarmente "crentes pipocas".
Pastor, desde que me converti somente mudei de Igreja uma vez, pois infelismente eu buscava mais conhecimento da palavra e a Igreja em que eu frequentava ate entao a visao dela era muito mais financeira.. Fora que o "infeliz" do pastor fazia comentarios absurdos da sua empregada domestica que nao era crente, e referia ela como a "cabrita" que teve um "cabritinho" e que perturbou o sono dele pois eles tiveram que leva-la no hospital ou "aprisco" pra ter seu filho.. Pois bem, isso feriu meu coracao. Por mais que eu gostasse dos irmaos e das pessoas que la se encontravam nao tinha mais vontade de ficar ali, sabendo que vidas nao eram assim tao importante pra ele... Okay esse nao e o caso.
Bem, vivendo ha mais de 10 anos fora do Brasil eu nao imaginava que a proporcao desse acontecido fosse de tamanha importancia nas Igrejas no Brasil.. Mas isso infelismente e um grave problema nas Igreja Brasileiras no exterior, e pra ser mais especifico na "America". Infelismente o Markenting e muito bom aqui. Infelismente muitos dos rebeldes que saem de suas Igrejas aqui arrastam com eles muitos outros, trazendo muitas vezes ate falsas acusacoes contra os pastores de suas congregacoes.. Mas o mais interessante e que essas pessoas passam por varias Igrejas e sempre comentem a mesma rebeldia. Tem pessoas que ja sao famosos por suas atitudes e eu conheco alguns assim, infelismente..
Muito "missionarios" saem do Brasil e guando chegam aqui se auto-consagram "pastores" saem das Igrejas que os apoiaram e ainda levam consigo boa parte de seus membros.. E muitas vezes os pastores nem sabem da procedencia do sujeito. Guando eu cheguei na cidade que eu moro, somente existiam 4 ou 5 Igrejas brasileiras, e hoje sao mais de 20..(para mim isso e contra o que Paulo disse: levar o evangelho onde Jesus nao fora pregado) O que eu penso acontecer principalmente nas Igrejas fora do Brasil e que as pessoas sao menos tolerantes, estao buscando respostas imediatas, as Igrejas ao inves de pregarem o verdadeiro evangelho estao fazendo marketing de suas propostas de fe.. Venha pra minha Igreja pois aqui o espirito santo habita, as outras nao. Venha a minha Igreja e melhor que a sua, todo sabado depois do culto tem comida de graca. Na minha Igreja todos somos abencoados financeiramentes, na minha ninguem tem doenca, e ai vai..
E os crentes sao na maioria convertidos aqui e nunca tiveram um encontro real com Jesus..Existe uma competicao muito grande entre Igrejas que tem mais membros, quem ganha mais dizimos. E os pastores nao tem amizades, sao como os homens de negocios que estao disputando as cabecas.. A Igreja do Senhor somos nos, e nos fomos chamados pra exalar o bom perfume nas nacoes, felismente, a verdadeira igreja (Igreja humana), exala o bom perfume, mas tem muita carne podre no meio da Igreja a congregacao dos santos, e os podres acabam contaminando os que nao estao.. Se as pessoas buscassem mais a Deus em oracao, conhecesse mais a Biblia, se fossemos mais espirituais (espiritual nao e aquele que ora muito, mas aquele cuja as oracoes sao respondidas) Possivelmente Pr Renato e blogueiros, nos nao teriamos tantas problematicas nas nossas congregacoes.. Os nossos irmaos precisam de cura, e eu creio que parte dessa insatisfacao de muitos em estarem indo de Igreja em Igreja e porque infelismente muitos ainda nao foram totalmente libertos de seus demonios(enganos) e nao sabem o que e se submeter a autoridades.. Principalmente guando nos nossos pulpitos se e pregado que nos nao devemos seguir "homens".. pra mim eles nao entendem o contexto dessa palavra, e isso se torna uma grande rebeldia, pois a mesma Biblia nos diz que devemos seguir os nossos guias.. Em suma, na maioria das vezes, e questao acima ea que prevalece.. Rebeldia!!!...
Me perdoem pelo o pessimo portugues.. A graca e a paz!!

Anônimo
12 de maio de 2009 17:29 comment-delete

muito bom artigo, compartilho suas ideias.

Pr marcos lopez veja nossos videos na net e recomende se gostar

you tube "pr marcos lopez"

abraços
marcos lopez

Anônimo
12 de maio de 2009 18:29 comment-delete

Paz Renato,

Muito esclarecedora sua reflexão.
Algumas vezes pensei em sair da minha igreja por não concordar com algumas posições da liderança, mas sempre cheguei a conclusão que o erro estava em mim - mesmo que aparentemente os erros deles eram crassos e visíveis.

Aprendi que comunhão aponta para o rompimento de nossas diferenças.

Amplexos,
Junior

13 de maio de 2009 10:09 comment-delete

Realmente mudar de igreja é um negócio bastante complicado. Toda igreja tem seus problemas, mas na minha humilde opinião, nem todos os problemas podem ser "engolidos". Se fosse assim só existiria uma denominação, não é?

17 de maio de 2009 23:15 comment-delete