Síndrome de He-Man
Renato Vargens

Eu tenho a Força!

Assim gritava o Príncipe Adam, personagem de desenho animado diante das ameaças do arquiinimigo de Eternia, o terrível Esqueleto. E quando o fazia, instantaneamente se transformava em HE-MAN, o imbatível guerreiro de Grayskull.

Parece que alguns crentes foram tomados por essa síndrome, isto porque, acreditam que mediante a declarações místicas, ou até mesmo decretos deterministas poderão mediante sua palavra vencer as forças do mal. Talvez isso se deva a influência da doutrina da prosperidade, que nos últimos 20 anos tem levado o crente a crer que ao agir intrepidamente diante de quaisquer impossibilidades o transforma num tipo de super-herói.

A impressão que tenho, é que tais pessoas possuem a firme convicção de que nada, absolutamente nada, os atinge, e que mediante a prática do decreto e da oração determinista as forças maléficas do esqueleto sucumbem definitivamente.

Os defensores deste tipo de oração fundamentam seus comportamentos no evangelho de João, capítulo 14, verso 13, afirmando que o termo usado como pedir foi mal traduzido, isto porque, segundo estes, a palavra no original jamais teve a idéia de pedir alguma coisa, e sim de determinar algo. Entretanto, ao contrário do que tais profetas afirmam, o texto grego aponta efetivamente para alguém que pede, sem contudo exigir o cumprimento daquilo que deseja. Ora, onde já se viu um filho determinar o que quer que o pai faça? Ou, de modo semelhante um servo ordenar o que deve ser feito ao seu senhor? O filho é submisso ao pai e o servo é submisso ao seu senhor. Se Deus é nosso Pai, então devemos honrá-lo como tal. Se ele é nosso Senhor, então a nossa postura deve ser de servos.

Infelizmente, boa parte das mensagens pregadas pelos pastores brasileiros nos apontam o quão despreparados estão nossos ministros. Suas mensagens são rasas, sem substância, empobrecidas teologicamente, cheia de modismos, unções, decretos, e determinismos os quais tem reverberado vergonhosamente em todo território nacional. Em nome do "gospel", muita gente tem vivido a vida nababescamente, ganhando milhares de reais, mercadejando a palavra da verdade. Assusta-me o fato de que alguns, em nome de uma espiritualidade cristã têm cobrado verdadeiras fortunas pra "ministrar" nas igrejas àquilo que pensam ser a santa Palavra de Deus. Que Cristianismo é esse? Que evangelho é esse? Ora, sem nenhum receio afirmo que esse não é o cristianismo idealizado por Jesus, e nem tampouco o evangelho da Bíblia, antes o evangelho que alguns dos evangélicos fabricaram!

Infelizmente meus irmãos, parte da igreja deixou a muito de ser a Comunidade da Palavra para ser a comunidade dos decretos e determinismo. Confesso que não agüento mais a efervescência da graça barata, o mercantilismo gospel, a banalização da fé. Não tolero mais, as loucuras e os atos proféticos feitos em nome de Deus, não suporto ouvir a respeito do aparecimento das mais diversas unções em nossos arraiais; isso sem falar da hieraquirzação do reino, onde apóstolos, paipostolos, príncipes e reis, tem oprimido substancialmente o povo do Senhor com doutrinas absolutamente anti-bíblicas.

Amados irmãos, não dá pra vivermos a vida cristã de profecia em profecia, de decreto em decreto. Mais do que nunca, hora de regressarmos a Palavra de Deus, de redescobrirmos os seus preciosos tesouros, de fazermos das sagradas letras nossa referência de fé e de comportamento.

Que Deus nos ajude, e tenha misericórdia de seu povo!

Renato Vargens

3 comentários:

Costumo ler seu blog. Tem sido muito abençoador em minha vida.
Gostaria de dar uma sugestão: algumas vezes o mesmo parece ter "uma nota só".

Por mais que as doutrinas de igrejas neo-pentecostais causem um grande prejuízo ao evangelho, acredito que este não deve ser somente o combate.

Temos outras mazelas em nossas igrejas, além das questões vindas dos irmãos neo-pentecostais.
Infelizmente temos este grande problema de pegar alguns para bode-expiatório e deixando de olhar o que acontece ao nosso redor.

Um grande abraço a todos!

Celso
10 de outubro de 2008 19:03 comment-delete

Celso,

Se vc for reparar eu não escrevo somente sobre os desvios teológicos dos neo-pentecostais. Na verdade, no meu blog vc poderá encontrar assuntos relacionados, a família, juventude, sexualidade, eclesiologia, biografia, teologia, catolicismo e etc. Contudo, em virtude das aberrações hodiernas de algumas de nossas igrejas tenho destinado boa parte dos artigos a combater certas práticas comportamentais e teológicas. Agradeço seus comentários e observação. abraços,

Renato Vargens

10 de outubro de 2008 19:10 comment-delete

creio que o irmão Renato tem razão; talvez a solução seria voltarmos à igreja primitiva de Pedro, João, Tiago, Estevão,etc, onde não havia discórdia, todos pensavam e agiam juntos, onde ninguém era mais que ninguém, todos tinham a mesma unção do Espírito Santo.
pregar coisas que não se vê para pessoas materialistas e consumistas, é uma tarefa difícil, e alguns pastores arrajam um jeitinho de "comercializar seu produto"; a prosperidade ou o poder, a salvação ou a santificação, com o formato mais proximo das praticas mundanas, isso para não "perder o freguês".
muitas igrejas pregam forte esse poder de qualquer um de pisar na cabeça de cobras e escorpiões sem que tais pessoas se preparem corretamente para isso, deixando-as decepcionadas, caindo assim no cetismo.

mario luisada
11 de outubro de 2008 17:09 comment-delete