Francis Schaeffer e a decisão da Suprema Corte dos EUA

Por Renato Vargens

Um dos pensadores cristãos que mais me influenciou foi Francis Schaeffer.

Particularmente seus textos e livros sempre me desafiaram a enxergar o mundo de forma diferente.

Schaffer foi teólogo, pastor e fundador da comunidade L'abri na Suiça, tendo  falecido em 15 de maio de 1984. O impressionante é que mesmo depois de morto, os textos do pastor americano continuam falando profundamente aos nossos corações.

O ocorrido no dia 26/06, em Washington DC, na Suprema Corte dos EUA em favor do casamento gay deve provocar em nós uma profunda reflexão sobre o significado de uma cosmovisão. Concordo com o pastor Judiclay Santos quando afirma que toda decisão baseia-se na maneira de pensar e enxergar a vida.

Isto posto, vale a pena lembrar de Schaeffer quando há alguns anos atrás, de forma extremamente lúcida fez um claro diagnóstico do ocidente  apontando a causa primária pela qual a cultura ocidental, outrora fundamentada na moral judaica-cristã, se distanciava do seu Criador. 

Vale a pena leitura:

"O problema básico dos cristãos nos Estados Unidos, nos últimos 80 anos ou mais, a respeito da sociedade e do governo, é que eles têm visto as coisas de maneira fragmentada em vez de vê-las de maneira integral. Pouco a pouco, eles têm se sentido incomodados com a tolerância excessiva, com a pornografia, com as escolas públicas, com a fragmentação da família e, finalmente, com o aborto. Mas não tem visto essas coisas em seu contexto - cada coisa sendo uma parte, um sintoma de um problema bem maior. Não conseguiram ver que tudo isso é o resultado de uma mudança na cosmovisão - ou seja, uma mudança fundamental na maneira pela qual as pessoas pensam e visualizam o mundo e a vida como um todo.

Essa mudança tem sido em direção oposta a uma cosmovisão que seja, pelo menos, vagamente cristã na memória das pessoas, caminhando para algo completamente diferente - em direção a uma cosmovisão baseada na ideia de que a realidade final é matéria impessoal e energia que foi moldada na sua forma atual pelo acaso. Eles não veem que esta cosmovisão tem substituído aquele que dominava previamente a cultura no norte da Europa e também nos EUA, que era pela menos cristã na memória, mesmo que indivíduos não fossem individualmente cristãos. 

Essas duas cosmovisões se opõe completamente em conteúdo como também nos resultados naturais, que incluem resultados sociológicos, governamentais, e especificamente, legais".

Francis Schaeffer, in: A Igreja no Século 21, p. 167

Renato Vargens

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