O Catolicismo Romano e a intercessão pelos mortos

Por Renato Vargens

A Bíblia é absolutamente clara ao afirmar que após a morte só nos resta o juízo. Ensina também, que o fato de toda e qualquer decisão por Cristo só pode ser tomada em vida, o que, por conseguinte, nos leva a entender de que não existe fundamento teológico para interceder a favor dos mortos.

Para os católicos romanos a referência bíblica que fundamenta esta prática encontra-se em 2 Macabeus 12.44. Entretanto, nós protestantes, não reconhecemos a canonicidade deste livro e nem tampouco a legitimidade desta doutrina, uma vez que o Protestantismo não se submete às tradições católicas e sim as doutrinas das Sagradas Escrituras.

Ora, a Bíblia nos diz que a salvação de uma pessoa depende única e exclusivamente da sua fé na graça salvadora que há em Cristo Jesus e que esta fé seja declarada durante sua vida na terra (Hebreus 7.24-27; Atos 4.12; 1 João 1.7-10) e que, após sua morte, a pessoa passa diretamente pelo juízo (Hebreus 9.27) e que vivos e mortos não podem comunicar-se de maneira alguma (Lucas 16.10-31).

Ora, do ponto de vista bíblico é inaceitável acreditar que os mortos estejam no purgatório ou no limbo aguardando uma segunda oportunidade para a salvação. Em hipótese alguma nós como cristãos devemos celebrar ou participar de culto aos mortos, antes pelo contrário, fomos e somos chamados a anunciar aos vivos a vida que somente podemos experimentar em Cristo Jesus.

Pense nisso!

Renato Vargens

10 comentários:

Renato,
Apenas para engrandecer o debate, gostaria que você comentasse a respeito de 1Pedro 3,19: "no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão".
Eu compreendo que a passagem se refere a um ato condenatório de Cristo, que anuncia a sua vitória aos espíritos no inferno - enfim, não há mais dúvidas do poder de Cristo. Entendo dessa forma porque, como você colocou, a opção por Cristo (e consequentemente a salvação) só pode se dar em vida.
Segundo Raymond Brown, católico e estudioso muito renomado nos estudos do NT, a interpretação mais tradicional é justamente o contrário (mas ele deixa claro que opta pela versão condenatória): Cristo pregou para os mortos no inferno e salvou alguns deles.
Quando apresentei as duas interpretações para os meus alunos, sem no início dar minha opinião pessoal, achei estranho que alguns deles (a minoria) optassem pela versão salvífica, alegando que a igreja ensina dessa forma.
Como você tem muito mais experiência do que eu, ficaria muito feliz em ouvir sua opinião a respeito dessa passagem.
Abraços!

17 de outubro de 2009 01:27 comment-delete

Nani,

Cristo não evangelizou aos espiritos em prisão.A palavra ultilizada por Pedro não foi EVANGELIZAR. Jesus não deu aos mortos uma nova oportunidade. O que Ele fez foi confirmar que todos estavam condenados por não terem crido no Messias através da pregação de Noé.

O ensino geral da Bíblia exclui claramente a possibilidade de arrependimento depois da morte. Hb. 9:27 diz que “... aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo”.

O que Cristo fez foi condenar aos espiritos que viveram na época de Noé, a sua condenação.

Abraços,

17 de outubro de 2009 09:05 comment-delete

Parabéns irmão Renato. Muito explicado.
Confirma-se que o conhecimento dos sábios a leitura da Palavra de Deus sem a Guia do Espírito Santo só se cria heresias e confusões.
Luiz Carlos 0053@

Luiz Carlos 0053@
17 de outubro de 2009 09:17 comment-delete

Renato,
Obrigado pela sua resposta!
Abraços!!

17 de outubro de 2009 12:23 comment-delete

isto é,

O que Cristo fez foi confirmar a condenação dos epiritos em prisão que viveram na época de Nóe.

17 de outubro de 2009 12:26 comment-delete

otimo texto !!!

17 de outubro de 2009 21:58 comment-delete

Prezado Renato.

Parabén pelo tema. Recentemente escrevi um ressumo de um livro sobre o mesmo assunto, e trocando mensagens com Danilo me comentou sobre tua abordagem.
Vou colocar tua meteria em meu Blog pois ela contem uma excelente resposta.

Já estou seguindo vc.

Obrigado!!!
http://seguimosjesus.blogspot.com/

5 de novembro de 2009 11:24 comment-delete

Pastor Renato,
Quero aproveitar esse espaço para umas palavras de incentivo. É muito bom saber que na grande rede, existem pessoas com compromisso verossímil com a palavra de Deus e que se dispõe a edificar a igreja de Cristo através desse veículo que muitos usam para a auto-promoção ou uma série de "perdas de tempo gospel".

Fui edificado com a postagem e os comentários. Continue firme no alvo para o prêmio dessa soberana vocação em Cristo Jesus, nosso Senhor!

(Naquele que nos une)*
Walter Filho

25 de março de 2010 14:50 comment-delete

OK, como podem os protestantes não considerarem macabeus na Bíblia, se esse livro já estava presente 1.000 anos antes de Lutero dar uma de revoltado?
Como podem os protestantes deixarem de levar em conta a tradição do magistério cristão presente na história da igreja católica? Ou por acaso, você acha que só lendo a Bíblia uma pessoa está apta a conhecer a realidade dos ensinamentos cristãos?
Não se esqueça que a Bíblia só foi compilada 400 anos depois da morte de nosso senhor Jesus Cristo.
A Tradição, seja ela oral ou escrita, é interpretada e aprofundada autentica e progressivamente, à luz da Revelação, pela Igreja. Foi com base nesta interpretação fiel que ela "definiu quais os livros que fazem parte do cânone das Escrituras" (O qual nenhum protestante fez parte). A Igreja "não tira só da Sagrada Escritura a sua certeza a respeito de todas as coisas reveladas", querendo isto dizer que as Tradições oral e escrita "devem ser recebidas e veneradas com igual espírito de piedade e reverência". Esta autoridade de poder interpretar e ensinar a Tradição chama-se Magistério.
Não se esqueça que a doutrina católica é baseada no credo apostólico também: Segundo uma antiga tradição, os doze apóstolos, reunidos em Jerusalém, teriam estabelecido em comum os rudimentos da nova fé, cada um ditando seu artigo. Essa versão era recitada pelos novos cristãos no momento do Batismo, e ficou conhecida como credo apostólico.
No credo há a mensão de quando Jesus antes de ressuscitar desceu a mansão dos mortos, ou seja, esse lugar a igreja considera como sendo o purgatório.
Nesse caso não há o que os protestantes desconsiderarem, pois não podem criticar um magistério e uma tradição da qual não participaram.

4 de agosto de 2010 22:04 comment-delete

A Bíblia é absolutamente clara ao afirmar que após a morte só nos resta o juízo.

1 - Quando um calvinista fala de clareza absoluta, eu lembro dos malabarismos exegéticos que alguns deles se veem obrigados a fazer, como Owen e Gill...

2 - Se você quer citar Hebreus, fail: Lázaro elimina completamente sua teoria. Ele já estava morto e reviveu. Voltar à vida por acaso é o juízo?

* Quiser, eu cito o caso em que Davi jejuou por Saul quando soube de sua morte. Como isto não confirma a ideia de interceder pelos mortos? Agora o livro de Reis deve ser arrancado da Bíblia?


e que vivos e mortos não podem comunicar-se de maneira alguma (Lucas 16.10-31).

E quanto a Elias e Moisés na Transfiguração?


Ora, do ponto de vista bíblico é inaceitável acreditar que os mortos estejam no purgatório ou no limbo aguardando uma segunda oportunidade para a salvação.

Purgatório não é para uma segunda chance, é para uma purificação dos que já creem em Cristo como Salvador.

25 de janeiro de 2014 18:22 comment-delete