Carta de um diabão a um diabinho sobre o despertar da juventude brasileira para a teologia

Por Renato Vargens 


Odiado Cramulhão Encardido Junior, 

Espero que esteja comendo o pão que o nosso maldoso pai amassou.  Escrevo-lhe esta missiva com vistas a lhe orientar quanto a melhor forma de obstruir o despertar da juventude brasileira para a Palavra do inimigo. 

Maldito capeta, estou preocupado com o número de jovens que resolveram conhecer teologia. 

Encardido cão do inferno, se isso de fato vier acontecer estaremos perdidos, Portanto, venho lhe ordenar que intensifique seus ataques contra a igreja do inimigo. E a melhor forma de fazê-lo é levando-os a acreditar que existem métodos melhores para o crescimento numérico do que a pregação desta Palavra maldita. Aliás, infeliz Coisa ruim, uma boa sugestão, é induzi-los a gastarem o tempo que possuem com programas e eventos. Leve-os a pensar que o que importa é a casa cheia, sem que com isso tenham a necessidade de falarem sobre pecado, bem como o nome do nosso inimigo.

Diabinho maldito, sincretize a fé deles. Não os deixe entender as horrorosas doutrinas da graça ( só de mencionar a palavra graça me sinto mal). 

Aprendiz de Belzebu, faça tudo para que a juventude não leia a Bíblia. Se eles descobrirem esse papo de Sola Scriptura e Tota Scriptura, será o caos. Não permita em hipótese alguma que os jovens amem a Palavra do inimigo, o máximo que você pode permitir é que eles cheirem a Bíblia, mas, estudá-la jamais. Portanto, afaste-os dela de qualquer jeito, incuta na cabeça deles que não podem julgar ninguém. Ah! Por acaso você se recorda daquele ensino falso sobre tocar no ungido do Senhor que o seu primo Capiroto disseminou? Pois bem, incuta isso na cabeça deles, a ponto que digam que ninguém pode julgar nada e que estudar a Palavra do inimigo é farisaísmo. Aliás, eu amo essa história de faze-los pensar que quem estuda a Bíblia é religioso. 

Termino esta carta com ódio no coração, desejando a você todo tipo de maldade.

Seu tio diabão

Nota explicativa:

Há alguns anos, o conhecido autor evangélico C. S. Lewis, professor da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, escreveu uma série de artigos sob o título: "The Screwtape Letters" , ou seja, "Cartas do Inferno" , Edições Vida Nova SP, e os publicou no jornal "Guardian", conhecido órgão da imprensa britânica, lá pelos idos de 1940. Depois, essas cartas foram reunidas em um livro com o mesmo título, que se tornou a obra mais popular desse eminente escritor de temas cristãos. Nessas cartas, o autor imagina uma série de conselhos que Roldão, experiente oficial da hierarquia diabólica, envia a seu sobrinho Lusbim, um diabo neófito que recebeu a incumbência de corromper a fé de um homem que se tornara cristão. Visto que, daquela época para cá, tem-se multiplicado as artimanhas satânicas, é lícito imaginar mais alguns terríveis conselhos enviados pelo sinistro oficial ao seu infernal emissário, em plena ação diabólica para desviar os fiéis do caminho estreito. Usando os mesmos personagens, apenas mudamos os nomes, e tomando emprestado o gênero literário do autor mencionado, aqui apresentamos aos amados leitores uma nova carta imaginária, vinda dos abismos infernais.

Observação: Para ler os outros textos da série, clique no MARCADOR "Carta de um diabão.

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