O Acre, apóstolos e os seus atos proféticos para acabar com a enchente em Rio Branco

Por Renato Vargens

Ruy Cavalcanti publicou no BLOG Intervalo Cristão (leia aqui) um artigo refutando os atos proféticos emitidos por alguns lideres, pastores e "apóstolos" de igrejas na cidade do Rio Branco, Estado do Acre. 

Ruy  conta que  no dia 04 de março de 2015, após dias em que o Rio Acre não parava de subir, um grupo  de mais de 60 pastores, “apóstolos”, e demais membros de igrejas evangélicas da capital, encabeçados pelos líderes das maiores igrejas do estado, além da presença da Primeira Dama do município e também da vice Governadora se dirigiram até uma das pontes centrais para realizar orações e atos proféticos, declarando que o rio diminuiria suas águas, acabando com o sofrimento do povo, lançando a bandeira do estado, ungida com óleo, nas águas barrentas do Rio Acre.

Na ocasião eles aproveitaram para culpar a população pela cheia do rio, pedindo perdão pelas “orgias” comparadas a Sodoma e Gomorra, ocorridas especialmente no município de Brasiléia, que culminaram com esse “castigo”.

Pois é, a diminuição das águas seria um milagre se as águas do rio já não estivessem baixando.  A questão é que os "profetas" só resolveram decretar o "milagre" depois que o volume do rio começou a diminuir.

Diante da clara manipulação ideológica por parte dos "profetas"  faço minhas as palavras de Ruy:

"Pergunto a estes irmãos: Vocês não se questionam o por quê de essa gente, que afirma possuir tanta unção, tanta fé, tanto poder, não realizaram tais atos quando a notícia de que o rio subiria foi dada pela defesa civil, impedindo assim toda essa tragédia? Vocês não se perguntam por quê só agora, depois que a mesma defesa civil anuncia que o rio iniciou o processo de vazamento, é que tais profetas realizam seus atos patéticos?"

Caro leitor, infelizmente essa história de "ato profético" virou moda no Brasil. Para nossa tristeza, vergonha, e decepção apedeutas da fé, em nome de Cristo, tem fabricado um evangelho bem diferente do evangelho revelado pelas Escrituras.

A prática do decreto e da oração determinista infelizmente se tornaram comuns as nossas igrejas. Na verdade, em boa parte dos templos chamados cristãos é absolutamente normal vermos ou ouvirmos pessoas determinando a benção em nome de Jesus.

Os defensores deste tipo de oração fundamentam seus comportamentos no evangelho de João, capítulo 14, verso 13, afirmando que o termo usado como pedir foi mal traduzido, isto porque, segundo estes, a palavra no original jamais teve a idéia de pedir alguma coisa, e sim de determinar algo. Entretanto, ao contrário do que tais profetas afirmam, o texto grego aponta efetivamente para alguém que pede, sem contudo exigir o cumprimento daquilo que deseja. Ora, onde já se viu um filho determinar o que quer que o pai faça? Ou, de modo semelhante um servo ordenar o que deve ser feito ao seu senhor? O filho é submisso ao pai e o servo é submisso ao seu senhor. Se Deus é nosso Pai, então devemos honrá-lo como tal. Se ele é nosso Senhor, então a nossa postura deve ser de servos.

Infelizmente, boa parte das mensagens pregadas pelos pastores brasileiros nos apontam o quão despreparados estão nossos ministros. Suas mensagens são rasas, sem substância, empobrecidas teologicamente, cheia de modismos, unções, decretos, e determinismos os quais tem reverberado vergonhosamente em todo território nacional.

Em nome da "confissão positiva", muita gente tem vivido a vida nababescamente, ganhando milhares de reais, mercadejando a palavra da verdade. Assusta-me o fato de que alguns, em nome de uma espiritualidade cristã têm cobrado verdadeiras fortunas pra "ministrar" nas igrejas àquilo que pensam ser a santa Palavra de Deus.

Que Cristianismo é esse? Que evangelho é esse? Ora, sem nenhum receio afirmo que esse não é o cristianismo idealizado por Jesus, e nem tampouco o evangelho da Bíblia, antes o evangelho que alguns dos evangélicos fabricaram! Infelizmente meus irmãos, parte da igreja deixou a muito de ser a Comunidade da Palavra para ser a comunidade dos decretos e determinismo.

Confesso que não agüento mais a efervescência da graça barata, o mercantilismo gospel, a banalização da fé. Não tolero mais, as loucuras e os atos proféticos feitos em nome de Deus, não suporto ouvir a respeito do aparecimento das mais diversas unções em nossos arraiais; isso sem falar da venda de indulgências modernas  feitas por falsos apóstolos cujas doutrinas são absolutamente anti-bíblicas.

Amados irmãos não dá pra vivermos a vida cristã de profecia em profecia, de decreto em decreto. Mais do que nunca, essa é a hora de regressarmos a Palavra de Deus, de redescobrirmos os seus preciosos tesouros, de fazermos das sagradas letras nossa referência de fé e de comportamento.

Que Deus nos ajude, e tenha misericórdia de seu povo!

Soli Deo gloria!

Pr. Renato Vargens

1 comentários:

Concordo plenamente! Glória a Deus!

Mag
5 de março de 2015 16:30 comment-delete