Bispo "comercializa" os votos dos fiéis em troca de dinheiro

Por Renato Vargens

A Revista VEJA (leia aqui)  publicou uma notícia que me deixou envergonhado. Na coluna do Lauro Jardim  descobri  que um sujeito que se apresenta como Bispo Victor, da igreja evangélica Apostólica Atos do Espírito Santo oferta os votos de fieis em troca de dinheiro. Segundo a revista o pacote inclui visitas a dezoito igrejas, onde o cliente é anunciado candidato oficial da paróquia, e distribuição de santinhos nos templos. Victor cobra 6 500 reais, mas negocia com o currículo e a influência sobre 7000 eleitores. Segundo ele, seu séquito já ajudou a eleger um vereador, há dois anos, e deputados, em 2010. 

Pois é, senão bastasse isso, inúmeros pastores tem orientado de pulpito suas igrejas a votarem nos candidatos que eles consideram ideal. Vejam por exemplo o caso de um pastor que descaradamente orientou suas ovelhas a votarem na candidata de sua preferência. (aqui

Aqueles que me conhecem sabem que não advogo a idéia que comumente tem tomado conta de parte dos evangélicos nos dias de hoje. Não creio na manipulação religiosa em nome de Deus, não creio num messianismo onde a utopia de um mundo perfeito se constrói a partir do momento em que candidatos especiais são eleitos, não creio na venda casada de votos, nem tampouco no toma-lá-dá-cá onde eleitores são trocados por benesses de politicos.

Creio que o voto é intransferível e inegociável. Acredito que nenhum cristão deve se sentir obrigado a votar em um candidato pelo simples fato de ele se confessar cristão evangélico. Antes disso, os evangélicos devem discernir se os candidatos ditos cristãos são pessoas lúcidas e comprometidos com as causas de justiça e da verdade. Junta-se a isso que creio que nenhum eleitor evangélico deve se sentir culpado por ter opinião política diferente da de seu pastor ou líder espiritual. O pastor deve ser obedecido em tudo aquilo que ensina sobre a Palavra de Deus, de acordo com ela. No entanto, no âmbito político-partidário, a opinião do pastor deve ser ouvida apenas como a palavra de um cidadão, e não como uma profecia divina.

Caro leitor, na perspectiva da ética, dia de eleição é dia de exercermos livremente as nossas opções políticas e ideológicas, ninguém, absolutamente ninguém tem o direito de manipular, impor ou decidir por você em quem votar. O voto é pessoal e instranferível e somente você tem o direito de escolher em quem votar, ainda que isso represente não votar no candidato do seu pastor. 


Pense nisso!

Renato Vargens

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