sexta-feira, agosto 17, 2012

Aprendendo com os equívocos sentimentais e amorosos de John Wesley

Por Renato Vargens

Costumo brincar que John Wesley é o meu arminiano favorito. Sem sombra de dúvidas o criador do metodismo foi um dos homens mais santos de todos os tempos. Comprometido com as Escrituras, pregador apaixonado, evangelista ousado, um grande e abençoado homem de Deus. No entanto, Wesley cometeu alguns equívocos emocionais. 

A história diz que antes de casar com a senhora Vazielle, Wesley enamorou-se duas moças. Na verdade, podemos afirmar que Wesley não foi muito bem sucedido nos domínios da sentimentalidade. Todos os seus namoros foram desastrosos. E ele finalmente escolheu aquela que foi talvez a mulher mais absolutamente imprópria para ser a sua esposa que havia nos três reinos (Inglaterra, Irlanda e Escócia). 

Foi Carlos Wesley, seu irmão, quem primeiro encontrou a Senhora Vazielle na casa, de seu colega, Perronet, e a descreveu como “mulher de espírito triste”; qualidade que, mais tarde, seu infeliz marido descobriu ser simplesmente um gênio para fazer-se a si mesma e a todos a seu redor infelizes. Era viúva, com poucos anos menos do que João Wesley, tinha três filhos, e vencimentos suficientes para a sua criação. Ela era, a seu modo desconsolado – nesse tempo pelo menos – mulher religiosa, com alguma capacidade para fazer-se agradável quando queria. Mas era ignorante, de hábitos egoístas, com uma capacidade semilunática pelo ciúme.

Wesley foi apresentado à viúva Vazielle por seu irmão Carlos. Os eventos se desdobravam com ligeireza. Era caso de uma viúva e de um homem de meia idade que julgava ser o seu dever casar, mas que estava demais ocupado para procurar uma esposa. Aos 2 de Fevereiro Carlos escreve: “Meu irmão me disse que está resolvido a casar-se”. Que João seguisse o seu exemplo parecia a este nada menos do que um desastre. Ele diz. “Fiquei surpreendido”.

“Veio então o fiel Ed Perronet dizendo-me que a pessoa era a Viúva VazielIe! Uma que nunca suspeitei. Eu recusei acompanhá-lo à capela, e retirei-me para chorar com a minha fiel Sally. Suspirei durante o dia inteiro e por alguns dias depois pela infelicidade do povo e da minha. Não pude comer, nem pregar, nem descansar, quer de dia quer de noite” (Tyerman, lI. pág. 104).

Wesley, desta vez, não estava com a mínima disposição de consultar os seus amigos, ou de pedir a opinião e orações de suas Sociedades. E ainda menos disposição tinha de consultar com seu irmão Carlos. A sua interferência havia-lhe desmanchado um casamento; João não havia de dar-lhe o ensejo de desmanchar outro. Mas seguiu um incidente curioso. Ele diz: “Encontrei-me com os solteiros da Sociedade de Londres, e lhes mostrei por quantas razões seria bem para aqueles (os solteiros), tendo recebido este dom de Deus, continuar solteiros por amor do reino dos céus, a não ser onde um caso excepcional constituísse uma isenção da regra".

O espetáculo de João Wesley uns dez dias antes de seu próprio casamento explicando a superioridade do celibato em uma de suas Sociedades é um enigma. Pela expressão – um caso excepcional – o próprio Wesley estava nesse momento preparando escapar do celibato que ele recomendava a outros.

Wesley já estivera tão perto de casamento antes, sem, todavia ter alcançado o alvo, e não há certeza alguma que a viúva Vazielle teria se tornado em Mrs. João Wesley senão fosse um acidente trivial. Wesley estava em vésperas de sair em outra viagem ao norte, na qual é provável que ele ter-se-ia esquecido da viúva VazieIle; mas nesta ocasião lhe sobreveio um acidente que precipitou o negócio. Houve uma grande geada, e Wesley, ao atravessar a ponte de Londres, resvalou sobre o gelo e feriu o pé seriamente. Tentou com coragem invencível a pregar, mas não pôde, e foi levado para a rua Threadneedle, onde residia a viúva Vazielle, e esta senhora lhe servia de enfermeira. Era fatal! Passaram-se sete dias, em parte na tarefa de preparar uma gramática hebraica, e em preparar umas lições para as crianças, e em parte em “conversas com a viúva Vazielle” e em ser cuidado por ela.

O acidente se deu aos 10 de Fevereiro de 1851. Aos 17 de Fevereiro ele foi levado para a Foundry, e pregou de joelhos, não podendo ficar de pé. No dia seguinte, dia 18 de fevereiro de 1851, ainda manco, casou-se com a Viúva Vazielle. Pregou outra vez – homem invencível! – ainda de joelhos, à noite de terça-feira, e quarta feira de manhã; e quinze dias depois do seu casamento, podendo montar a cavalo, prosseguiu numa viagem de pregação.

A mulher de Wesley viveu até o ano 1781, e durante aqueles trinta anos era para o marido a encarnação de uma tormenta constante. A princípio ela lhe acompanhava em suas viagens de pregação, mas o seu gênio de ficar descontente, e de contrariar a todos ao seu redor, acabou com isso. Dentro de um mês depois do casamento o tópico predileto desta notável mulher foi conversar sobre as faltas do seu grande marido. Durante um ano houve um rompimento confesso e incurável.

Caro leitor, um homem tão forte espiritualmente era ao mesmo tempo um homem fragilizado emocionalmente.   Das três vezes (quando solteiro) que ficou doente, Wesley se enamorou de alguém, cometendo o erro (ao meu modo de ver) de ter se casado com a mulher errada.

A estranha experiência de João Wesley no seu casamento é a tragédia de sua vida. A mulher que ele escolheu, segundo Southey, “merece ser classificada numa tríade com Xantipa e a mulher de Jó como sendo uma das três esposas más deste mundo”. Como seria que um homem tão nobre e sábio fizesse uma escolha tão infeliz? Mas se houver necessidade de qualquer prova da fibra heróica do caráter de Wesley, ela se achará no fato que, enquanto ele estava castigado com esta peste humana em saias; ele nunca se desviou, a grossura de um cabelo (um milímetro sequer!), do trabalho da sua vida. Nem se obscureceu a sua alegria habitual! O marido desta virago (feminino de varão, esposa, esposa “machão”, irascível) ainda era capaz de declarar que nunca tinha sofrido de desânimo por um quarto de hora (quinze minutos). Outro homem qualquer, sob tal aflição teria sabido (experimentado) pouca cousa mais do que desânimo. Talvez a invencível serenidade de Wesley fosse uma irritação inconsciente para a mulher. Constituía um desafio a seu dom em fazer todos infelizes. 

Prezado amigo, casamento é coisa séria e casar de forma equivocada pode trazer problemas seriíssimos não é verdade? Isto, posto, pense muito antes de tomar alguém em matrimônio.

Renato Vargens

Fonte: O texto em Itálico corresponde com parte do capítulo XV, "Os namoros de Wesley", do livro "Wesley e seu século – um estudo de forças espirituais, Volume II", respectivamente nas páginas 181 a 200, edição de 1916 publicada pela Typographia de Carlos Echenique, Porto Alegre, RJ).  

Um texto ampliado sobre o assunto poderá ser acessado no site da Igreja Metodista de Vila Isabel 


Robson Lelles disse...

Casamento não é aventura, muito menos loteria. É algo a ser criteriosamente pensado, para mais tarde não se tornar em perda irremediável. Wesley que o diga.

Marcellocristao disse...

Isso é intrigante, tenho que admitir, é muito comum homens de Deus se relacionarem e em alguns casos até casarem com mulheres rixosas, vemos isso nas Santas escrituras com Davi e Mical, Sansão e Dalila, Jó e sua mulher(tão richosa que nem a bíblia refere seu nome), Ló e sua esposa, as várias mulheres idolatras com quem Salomão se casou, o próprio relacionamento de Adão e Eva que teve uma certa decadência a partir da desobediência da mulher, em fim, uma miscelânea de uniões de totais extremos, mas a pergunta é: O que Leva Homens de Deus, totalmente revestidos da Presença, do Amor, da Palavra, da Autoridade de Deus, a escolherem tais cônjuges?

JOAO CARLOS BRITO disse...

Falta de oração pelo assunto.
Parece que John Wesley estava ansioso por se casar.
Conscientemente convencido que deveria casar-se,porém muito envolvido com as viagens evangelísticas e seu ministério.
Possuía alguma carência afetiva,pois quando ficava doente é que tinha tempo para refletir melhor sobre as mulheres.
Não namorou e nem pensou o bastante, nem consultou seu irmão que o livrará de uma possível adúltera, pela qual havia se apaixonado.
Quebrou uma promessa que tinha feito com o irmão, não ouviu os conselhos dos mais próximos e tomou uma decisão intempestiva ao meu ver.

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