quarta-feira, setembro 15, 2010

Crianças invisíveis

Por Renato Vargens

“Se eu pudesse eu dava um toque em meu destino
Não seria um peregrino nesse imenso mundo cão
Nem um bom menino que vendeu limão. 
Trabalhou na feira pra comprar seu pão.
Não aprendia as maldades que essa vida tem
Mataria a minha fome sem ter que roubar ninguém
Juro que nem conhecia a famosa funabem
Onde foi a minha morada desde os tempos de neném
É ruim acordar de madrugada e pra vender bala no trem
Se eu pudesse eu tocava em meu destino.
Hoje eu seria alguém, seria um intelectual. 
Mas como não tive chance de ter estudado num colégio legal
Muitos me chamam de pivete
Mais poucos me deram um apoio moral
Se eu pudesse eu não seria um problema social.”



Ouvindo essa canção interpretada por Seu Jorge, fico a pensar em milhões de crianças e adolescentes que vivem a margem da sociedade sofrendo os desmandos do poder público e da sociedade que implacavelmente os negligencia.

A dolorida situação das crianças de rua em nosso país nos deixa absolutamente boquiabertos com a frieza da população que os enxerga como "coisas". Infelimente, milhares de meninos e meninas dormem nas ruas das grandes cidades tupiniquins, cheirando cola, se prostituindo, tendo a vida e o futuro destruídos pela dor e o pecado. As estatísticas mostram que 75% destas crianças têm laços familiares o que aponta o caos existente nas famílias brasileiras.

Interessante que lidamos indiretamente com estas crianças todos os dias. Passamos por elas nos sinais, as vemos dormindo embriagadas pelo álcool a pleno luz do dia ou ainda promovendo pequenos furtos nos centros de nossas cidades, ou até mesmo "trabalhando" como "avião" nas favelas. Entretanto, em virtude da sindrome "umbiligal" que norteia a alma do cidadão pós-moderno, encontramos-nos como que anestesiados tratando os excluídos sociais como lixo descartável.

Paul Hiebert, diz que o ser humano tem a tendência de ver pessoas que não são parte do seu contexto social como parte da paisagem, ou um pedaço de mobília. No evangelho de Marcos, capitulo oito, Jesus trata de um assunto extremamente relevante. O texto diz, que ao curar um cego, a primeira imagem vista por este, era de homens como árvores.

Por acaso você já se deu conta de que temos uma enorme facilidade de coisificar a vida? Jesus, ao perceber que o cego enxergava pessoas como arvores, não hesitou em tocá-la novamente até que de fato o milagre acontecesse.

Lembre-se, meninos de rua não são arvores, ou objetos aos quais descartamos segundo os nossos interesses. Crianças precisam ser respeitadas, valorizadas, precisam de escola, saúde, dignidade, limites, amor.

De que forma você as têm enxergado?

Pense Nisso!

Renato Vargens

Marco André Lopes Mendes disse...

Mexeu comigo. Valeria a pena colocar o vídeo da música. Ouvir a música mexe com a gente:

http://www.youtube.com/watch?v=nyWZzSPpebk e http://www.youtube.com/watch?v=HunnjQ5uxuk

Ubirajara Oliveira disse...

Caramba Pastor, muito obrigado pelo texto!
Tenho a ceterza absoluta que a igreja existe para propor debates como este e, mais que isso, participar das soluções.
Chega com esse "negócio de prosperidade", vamos assumir nossa posição como Discipulos de Cristo e participar mais da vida social.

juninho.itaguai disse...

Olá pastor! tenho lido suas postagens principalmente nos grupos Cristianismo pleno e casais cristãos e tenho achado os mesmos muito edificantes. os debates propostos são muito importantes para nosso crescimento e amadurecimento espiritual.

Matias Borba disse...

Pr. Renato,
Graça e Paz!

Lendo textos como esses, sempre me pergunto: onde está a Igreja? A Igreja que deveria cuidar mais das pessoas, que deveriam deixar de lado a idéia "Edirmacedica" de cosntruir mega templos paa imitar o desejo de Salomão em fazer o melhor para Deus, a Igreja que deveria realizar mais trabalhos sociais com pessoas não cristãs, pois a maioria das igrejas, realiza trabalhos sociais mais voltados para suas comunidadaes evangélicas locais, onde está a Igreja...

A Igreja não vai solucionar o mundo, é, eu sei diso, mas é que sempre me passa este tipo de pensamento, sempre questiono a mim mesmo para onde vai tantos dízimos, ofertas, etc.etc.etc.

É assim mesmo, tenho que fazer minha parte.

A Paz!

PS: Reproduzi o texto sitando a fonte para tentar divulgar esta realidade a quem quer que seja.

Amarildo Rocha disse...

Querido Pastor Renato, exelente texto, este é o reino, é pra isso que devemos viver. Gostaria de publicar este artigo em meu blog, peço sua autorização. Meu blog e o ministério ao qual pertenço, existe em função dessas crianças, e dos dependentes quimicos, quando tiver um tempinho faça-nos uma visita, em meu blog, você encontrará uma guia com o título Projeto de Deus que o levará a uma página sobre nosso trabalho com crianças, e outra com o título Projeto Quero Viver do site do projeto para recuperação de dependentes químicos.

Mais uma coisa, gostei muito de seu artigo sobre novelas, publiquei um texto em meu blog, no dia 6 de julho, só que meu blog é humilde, pouco visitado, gostaria que mais pessoas tivessem acesso, pois é um caso muito sério. Vou deixar aqui o link, dê uma olhada no texto, se gostar, e quiser publicá-lo, será uma honra.

http://amarildorocha.blogspot.com/2010/07/nao-faca-de-sua-vida-uma-novela-leia.html

Em Cristo:

Amarildo.

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