Pão, Circo e a música gospel.

Por Renato Vargens

Quando os problemas e as crises se multiplicaram em Roma, acentuaram-se os problemas sociais em quase todo império. A escravidão havia gerado desemprego na zona rural, isto porque, muitos camponeses tinham perdido seus empregos. A conseqüência direta disto foi que esta massa de desempregados migrou para as cidades romanas em busca de trabalho e melhores condições de vida. Receoso de que pudesse acontecer alguma revolta de desempregados, o imperador criou a política do Pão e Circo. Esta consistia em oferecer aos romanos, alimentação e diversão. Na ocasião, quase todos os dias ocorriam lutas de gladiadores nos estádios, onde conjuntamente com as batalhas eram distribuídos gratuitamente alimentos. Desta forma, a população carente acabava esquecendo os problemas da vida, diminuindo as chances de revolta.
Ao pensar neste acontecimento histórico, confesso que é impossível não refletir sobre o papel dos evangélicos nos dias atuais em nosso país. Até porque, em vez de nos posicionarmos denunciando a corrupção, bem como as injustiças sociais desta terra, promovemos atividades superficiais onde tentamos mostrar para o povo, de que nem tudo é tão ruim assim.
Infelizmente, parte dos evangélicos, ao longo dos últimos anos vem contribuindo com a política moderna de pão e circo, oferecendo para o povo sofrido desta terra, migalhas e pseudo-entretenimento. Isto de certa forma tem se materializado mediante a promoção de mega-eventos, onde a chamada música gospel, é oferecida por políticos sem escrúpulos, cuja motivação é distrair a atenção do povo. Além disso, para piorar as coisas, em vez de sermos promotores de educação, capacitação profissional, e inclusão social, tornamo-nos parceiros de um estado paternalista, recebendo bolsas assistencialistas, aos quais ‘misericordiosamente” repassamos aos nossos pobres.
Prezado leitor, na perspectiva do reino, não dá para fazermos o jogo do contente, nem tampouco brincarmos de “pollyana”, antes pelo contrário, somos chamados a denunciarmos as injustiças, bem como promovermos os valores inegociáveis do reino. É imprescindível que entendamos que quando vivemos para Deus, desenvolvemos uma espiritualidade abnegada, missiológica e altruísta. E é em nome desta espiritualidade, que necessitamos comprometermo-nos com a ética e com a Justiça, cuidar (sem assistencialismos) dos que gemem, além obviamente de aliviar a dor daqueles que estão oprimidos.Viver para Deus tira-nos de nós mesmos, faz com que enxerguemos a vida pra além dos nossos umbigos.
Viver para Deus, nos proporciona a certeza de que somos sal desta terra e luz deste mundo, o que implica de imediato em compromisso social com os que gemem e choram.
Não dá pra vivermos uma espiritualidade assecla, fria, interesseira. É importante que saibamos que quando gostamos de Deus, gostamos de quem Deus gosta.
Ah! Não se esqueça:Deus gosta de gente! Deus gosta de Justiça social, de ética, de compromisso com a verdade, de pão, de moradia pro pobre, de educação, de vida plena e digna.
Pense nisso!
Renato Vargens

6 comentários:

Olá Pr. Renato!!
Esse seu comentário me fez lembrar de uma cena do filme GLADIADOR", onde o imperador, chega ao "palco" dos shows romanos, e passa a jogar pães para o povo. Essa estratégia continua a mesma. O povo gosta mesmo é de entretenimento mesmo que fique a pão e água.
gde abço
Pr. paulo

12 de agosto de 2009 11:18 comment-delete

É o que a galera de Brasília vem fazendo,digo Congresso Federal.Eles dão início ao espetáculo circense e as cortinas são fechadas com as ultimas cenas e o povo continua a pão e água.

12 de agosto de 2009 13:05 comment-delete

OK, até aí tudo bem... mas, qual a sugestão que você dá para mudarmos essa situação ou, qual a sua iniciativa? Ficar falando mal não é coisa de cristão, mas sim promover atitudes. Sinceramente, me diga pelo menos uma ação sua para mudar essa realidade que te dou maior apoio.

12 de agosto de 2009 17:19 comment-delete

Prezado Filipe,

a 1º passo a ser dado é voltar as Escrituras. A Bíblia é a nossa única regra de fé e ela somente é quem deve nortear nosso comportamento. Não nos é possivel continuar fundamentando nossa fé em pseudo-experiências cuja teologia afronta ao Senhor da glória.

em segundo lugar, a pregação da Palavra precisa retomar a importância em nossos cultos. Não dá para termos reuniões com muita musica e pouca palavra.

E por fim, dfevemos questionar se os ensinmentos dos pastores desta época estão de acordo com o ensinamento das Sagradas Escrituras.

Abraços,

Pr. Renato Vargens

12 de agosto de 2009 17:34 comment-delete

Pastor gosto quando o senhor aborda esses assuntos, pois nos desperta o sentido do ser cristão.
E digo ao senhor que por mais que pensem que não fazes nada, suas pregações tem despertado em suas ovelhas, pois sou uma delas, o compromisso com a palavra e também com social, pois como sabes participo de tais atividades e insentivo as pessoas a buscarem a Cristo, consequentemente desenvolvendo o amor ao próximo.
E digo também que a carapuça cai automaticamente, pois tenho observado também em artigos anteriores, nos que não tem o que fazer a não ser criticar os que como o senhor tem botado a cara a tapa e anunciado o genuino evangelho de Jesus, abordando verdades bíblicas que no mínimo os omissos não tiveram coragem de abordar.
Confio no Jesus da verdade, que tem te abençoado e automaticamente as suas ovelhas.
Abraços!

12 de agosto de 2009 20:22 comment-delete

Gostei do assunto abordado, e infelizmente é verdade, o governo, para manter o poder supremo, dá ao povo o pão e não a capacidade de produzir o seu próprio pão, com isso o povo fica totalmente dominado e na verdade o que a grande maioria do povo quer mesmo é pão e entretenimento, vemos isso toda hora, é cesta basica para o pobre mas não emprego, com isso o nosso presidente atual conseguiu se re-eleger uma vez e conseguiria novamente se pudesse, é tijolo na troca de votos para vereadores safados e corruptos, é churrascada com shows de pagode para pedir votos e realmente conseguem esses votos, são shows na praia de Copacabana patrocinado pela emissora dominante deste pais e por ai vai.
Na verdade, o que o povo quer mesmo é isso, pão e entretenimento, não trabalho.
Agora mais uma vez eu não entendi o que tem haver a música "gospel" no titulo, sinceramente não entendi a colocação.
O texto abordado realmente foi muito bom, para mudarmos esta sociedade é preciso que o povo tome uma posição.
Eu até concordo com o Vagner Luiz, temos realmente que ajudar ao próximo e é o que fazemos lá na igreja, mas o povo carente também tem que ajudar a ser ajudado, o que eles tem feito para sair da miseria total? O emprego está difícil mas o trabalho nem tanto, será que não estamos, com essa ajuda, fazendo o mesmo que os governantes em Roma antiga, dando pão sem o entretenimento?

Abraços

19 de julho de 2010 10:27 comment-delete