Síndrome de Dory

Renato Vargens

Em 2003, os estúdios Walt Disney, lançaram no mercado cinematográfico o sucesso “Procurando Nemo”.

A história é de um pequeno peixe-palhaço de nome Nemo que repentinamente fora seqüestrado do coral onde vivia, por um mergulhador que o levara a viver em um aquário na distante Sidney.

Marlyn, pai do peixinho desaparecido, ao se dar conta do sumiço do seu filhote, inicia uma busca desesperada na expectativa de encontrá-lo. Em sua missão Marlyn vem a conhecer um peixe de nome Dory, que tinha por característica principal o esquecimento de fatos recentes. O conto se desenrola em aventuras mil até que no final, milagrosamente Nemo volta para casa.

Ao ver o filme, foi impossível com que não reparasse no personagem Dory. Na ocasião, confesso que foi inevitável com que não fizesse a analogia do desmemoriado peixe com o cidadão brasileiro. Até porque, nós brasileiros esquecemos com uma enorme facilidade as arbitrariedades cometidas por alguns de nossos “bons políticos”.

Como Dory, esquecemos do confisco do nosso dinheiro feito por Collor de Mello, dos desvios do dinheiro público, dos escândalos do INSS, dos anões do orçamento, da adulteração do painel do Senado, do mensalão, da compra de votos por parlamentares, da máfia da sanguessuga, do castelo construído por parlamentar, do escândalo das passagens aérias, dos jabás adquiridos, além de muitos outros escândalos mais.

Ora, o Brasil tem vivido nos últimos anos uma curva ascendente de escândalos onde políticos corruptos movidos por uma avassaladora ganância, se locupletam do dinheiro público enriquecendo desenvergonhadamente. As primeiras páginas dos nossos jornais têm estampado quase que diariamente escândalos políticos de primeira linha. Essa sucessão de escândalos, significativos em seu conjunto, ajuda a criar uma cultura de crescente desconfiança nos cidadãos, aos quais tem gerado consequências funestas e contraproducentes, bem como o descrédito da sociedade quanto a capacidade do poder público de fazer o bem comum.

Infelizmente o povo brasileiro como Dory, esquece rapidamente das falcatruas e roubalheiras promovidas pelos "gentis políticos", até porque, bastam dois ou três anos no máximo, para que através das urnas reconduzamos os que nos extorquíram de volta ao poder.

Será que existe cura para essa síndrome?

Pois é, enquanto ela não vem, sigo o meu caminho com a firme convicção:

Peixe, nós não somos, mas palhaço?

Renato Vargens

1 comentários:

enquanto o nosso povo não achar a "cura" para o ''DORYLISMO'' continuaremos nesse circulo de esquecimento e nunca iremos ter um pais de 1º mundo para TODOS .
Assim os políticos agradecem!

24 de maio de 2009 23:56 comment-delete