sexta-feira, dezembro 07, 2012

Decretos espirituais e morte de uma menina peruana

Por Renato Vargens

Volto e meia eu ouço algumas pessoas afirmando que todas as bençãos de Deus pertencem a elas e que Deus é obrigado a obedecer as  ordens e decretos espirituais que emanam do seu povo. 

Pois é, estou no Peru pregando o Evangelho da Salvação Eterna e fiquei sabendo de um fato ocorrido numa igreja peruana que muito me chocou.  Uma adolescente de 15 anos acometida de um câncer nos ossos foi orientada pelos médicos a fazer uma cirurgia juntamente com tratamento quimioterápico. Todavia, o pastor da igreja a qual a moça fazia parte proibiu a familia de começar o tratamento, visto que ele, pastor,  havia decretado no mundo espiritual a cura da menina, o que infelizmente não aconteceu. 

Para o pastor desta igreja, Deus era obrigado a OBEDECER suas ordens, determinações e decretos espirituais e que em virtude disto nenhum tratamento médico deve ser feito naqueles que se encontram enfermos.

Caro leitor, ao saber dessa triste notícia meu coração foi tomado por  uma profunda tristeza. 

Ora, bem sei que Deus é poderoso para curar toda enfermidade, mesmo porque, o Deus de ontem é o mesmo Deus de hoje, e será o mesmo sempre! Aleluia! Eu mesmo posso testemunhar inúmeros casos de pessoas que foram curadas pelo seu maravilhoso poder! Agora, afirmar que Deus é obrigado a curar qualquer enfermidade simplesmente pelo fato de que nos deve isso, beira a heresia. 

Prezado amigo, ao contrário do que alguns pastores ensinam, Deus não nos deve absolutamente nada. Segundo as Escrituras devido aos nossos delitos e pecados estávamos condenados a morte eterna, entretanto, mediante o seu grande amor Ele enviou seu filho Jesus para morrer em nosso lugar, dando-nos salvação. Além disso, vale a pena ressaltar que a prática do decreto e da oração determinista não possuem bases bíblicas. Os defensores deste tipo de oração fundamentam seus comportamentos no evangelho de João, capítulo 14, verso 13, afirmando que o termo usado como pedir foi mal traduzido, isto porque, segundo estes, a palavra no original jamais teve a idéia de pedir alguma coisa, e sim de determinar algo. Entretanto, ao contrário do que tais profetas afirmam, o texto grego aponta efetivamente para alguém que pede, sem contudo exigir o cumprimento daquilo que deseja. Ora, onde já se viu um filho determinar o que quer que o pai faça? Ou, de modo semelhante um servo ordenar o que deve ser feito ao seu senhor? O filho é submisso ao pai e o servo é submisso ao seu senhor. Se Deus é nosso Pai, então devemos honrá-lo como tal. Se ele é nosso Senhor, então a nossa postura deve ser de servos.

Lamentavelmente a adolescente morreu e ontem no seu enterro o pai dizia: "Deus me abandonou, Ele não me ama, Ele não ouviu o meu decreto espiritual."


Que Deus nos ajude, e tenha misericórdia de seu povo!

Renato Vargens

Adriano Vieira disse...

Shalom Renato!

O decreto não é dado a Deus para que faça e sim sobre a enfermidade.

marcelo ferreira disse...

tempos complicados hoje se olha muito mais pras mãos do que pra face

Antonio Silva disse...

Adriano,

Essa sua frase é uma das falácias que leva exatamente aonde está o ocorrido e relatado pelo artigo do pr Vargens.

.

Antonio Silva disse...

A Teologia da Prosperidade, seus decretos de confissão positiva me dão ASCO!!!

Eu já vi casos como este acontecerem e os cretinos que decretam ordenando a Deus e ao diabo ao mesmo tempo, e se quiser, a enfermidade também, depois ainda jogam a culpa em cima dos familiares, dizendo que ELES NÃO TIVERAM FÉ.

Essa é uma TEOLOGIA COVARDE!!!!
.

Janise Dantas disse...

É lamentável e também assustador, pois isso é uma coisa que aparenta não diminuir!

Deivis Noschang disse...

Não se escandalizem amados, é inevitável que aconteçam estas atrocidades, afinal estamos próximos da volta de JESUS.

Shalom,
Deivis Noschang - Paraguay

Edgar antonio disse...

Já passamos pela primavera da esperança,agora está chegando o inverno do desespero. Parte da igreja se tornou uma fabrica de heresias onde tudo é relativizado a Bíblia só é citada quando é para apoiar fora do contexto a "visão"do lider. Lastimável.

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