quinta-feira, julho 27, 2017

Para um basta na Zoeira


Não gosto de usar este espaço para polêmicas que envolvam a fé cristã. Pelo contrário, criei minha página no facebook para compartilhar mensagens e fatos que sirvam à edificação, que suscitem conversas interessantes e que façam bem ao leitor, no campo da fé cristã, Escritura, cultura, política. Honestamente, meu trabalho como editor literário, professor, pregador, escritor não me permitem uma rotina regular aqui. De vez em quando sumo. Então, quando consigo voltar, tento oferecer alguma coisa de valor mais afirmativo, pois isso também me faz bem. As polêmicas tendem a envenenar a mente e o coração da gente e não é bom ficar respirando o ar nauseabundo do sensacionalismo que rola por aqui (o qual, além de desinformado e, muitas vezes, semi-analfabeto, é desinteressante, burro e tedioso). Mas, vez por outra, sinto a necessidade de chamar a atenção para certas coisas que a gente vê, estarrecidos, aqui nesta "terra de ninguém" que é a internet. Há um ano, publiquei um texto no qual me queixei da crescente tolice que se vê no comportamento de gente da comunidade evangélica virtual aqui nas redes sociais. Na ocasião, destaquei o seguinte: 

"...Quando vejo memes ofensivos na internet, sites de escárnio chamados de isso e aquilo outro da "zoeira" que ridicularizam a imagem e o nome de homens de Deus, debates tolos sobre calvinistas, arminianos e comparações infantis do tipo "minha evangelização é melhor que a sua", lembro do que disse o apóstolo Paulo sobre "meninos, levados de um lado para outro pelo vento", e de "meninos que falam coisas de meninos e fazem coisas de meninos". Também lembro de Jesus dizendo que a seara do Pai precisa de gente madura para trabalhar." 

É triste constatar que as coisas pioraram. Chega a ser espantoso perceber como alguns desses autoproclamados "porta-vozes" de algumas tradições evangélicas, que se colocam como verdadeiros paladinos da seus próprios costumes e crenças, sujam o nome do cristianismo com seu comportamento baixo, vil e destrutivo. Não constroem nada. Só destroem. E o pior é que admitem isto, com escárnio. Querem mesmo a atenção, o ibope. Gostam que "falem deles", que lhes dêem "atenção". Alguém me mandou algumas declarações de um desses sites de bagunça, o tal "Arminianismo da zuiera" (sic), que evidencia isto. O fulano disse: 

"Faz o seguinte continue comentando e ajudando o AZ a "aparecer" pois quanto mais o AZ aparecer, mais suas heresias vão ficar desmascarados... Valeu!", E ainda mais : "Sabem o que mais deixa o AZ feliz? Ver que incomodamos os medalhões Calvinistas, pois mostramos sua heresias... Obrigado pela audiência".  

Para obter esta audiência, fazem uso jocoso e zombeteiro da imagem de homens de Deus, pregadores do Evangelho, ministros cristãos, tratando-os com zombaria, escárnio e enorme desrespeito. Obviamente que conseguem assim alguma "audiência", mas ao custo do seu próprio ridículo. É hora de acabar com isso. Esse comportamento não é cristão e essas pessoas terão de responder por seus atos insensatos. 

Este site e seus correlatos são uma vergonha. Para eles, cito aqui a já famosa frase de Humberto Eco, que disse: 

“As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel. O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”. 

Aproveito para fazer um alerta a todos nós, que mexemos com teologia, que tratamos de assuntos da fé cristã. Também cito aqui um outro texto, que escrevi há algum tempo, no qual peço mais ética na internet: 

"Uma das questões mais urgentes e importantes que o escritor na internet precisa atentar é a ética. Infelizmente, sua importância tem sido enormemente negligenciada em muitos meios onde se publica textos teológicos. O comportamento antiético na internet é espantoso. Atrás do anonimato ou mesmo de uma falsa introjeção de imagem que a internet favorece, discussões sem sentido acontecem, troca de ofensas, uso indevido de material protegido por direitos autorais, enfim, é preciso resgatar o procedimento ético também na “persona” virtual. 

Outro cuidado que é preciso ter com o uso da internet para a discussão teológica é com o acesso. Não se sabe quem está lendo os textos ou acompanhando as discussões em torno de determinado tema. Muitas vezes, um assunto complexo gera polêmicas e debates acirrados e isso fica exposto diante de pessoas que não têm compromisso com a fé cristã, ou aos inimigos da fé ou, ainda pior, aos olhos de pequeninos na fé ou neófitos – o Senhor Jesus Cristo faz um severo alerta contra aqueles que fazem tropeçar um de seus pequeninos (Mc 9.42). Na cristandade primitiva, havia uma prática chamada disciplina arcani, que era o costume de manter o conhecimento de doutrinas mais difíceis da fé cristã e o debate acerca delas, distante dos não cristãos e até mesmo dos novos na fé, com o propósito de preservar-lhes de escândalos e não confundir-lhes a mente.  

Ainda é válido estabelecer a diferença entre “jornalismo teológico” e “formação teológica”. O fato de um determinado tema doutrinário ser publicado em uma página de internet não torna seu autor uma autoridade no assunto. É alarmante o uso da internet por "teólogos de facebook que lidam com temas teológicos complexos com uma redação jornalística, mas sem expertise e domínio da matéria. O que se vê em muitos casos é o tratamento de assuntos difíceis e densos de modo superficial, o que normalmente resulta em lacunas e simplificações que podem confundir o leitor e não lhe oferecer a amplitude necessária para produzir suas próprias conclusões com base nas Escrituras e na teologia histórica." 

Então, escrevo isso aqui para recomendar ao povo que lê esses sites que saiam dessa. Que deixem de ler essas coisas feias e sujas que rolam por aí. Que não envenenem suas mentes com essas bobagens. Dediquem seu tempo à leitura das Escrituras, de um bom livro teológico, de uma boa literatura e dê um basta na "zoeira". 

Que Deus nos ajude a usar melhor nosso tempo e nosso intelecto. Ambos são presente de Deus e ambos devem ser usado com sabedoria. 

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Tendo disto isto, quero oferecer aqui minha solidariedade aos meus amigos Augustus Nicodemus Lopes e Franklin Ferreira, que têm sofrido ataques vis e covardes por parte desses sites e páginas de bagunça. Conheço ambos há mais de 20 anos. Temos servido juntos em vários contextos e tenho visto o empenho desses irmãos para promover a verdade das Escrituras que edificam e conduzem pessoas a Cristo. É triste ver gente disseminando tanto ódio e aspereza contra homens que Deus tem usado de modo tão marcante em nosso país. 

Tiago Santos 

Tiago Santos é um dos pastores da Igreja Batista da Graça em São José dos Campos, escritor, conferencista e editor chefe da Editora Fiel.
Cleilon disse...

Triste demais esta situação que vemos hoje!
Não podemos chamar nem de cristianismo pobre porque seria uma ofensa ao cristianismo e a palavra pobreza mas, de fato é um analfabetismo teológico coletivo onde teólogos de Wikipédia que se divertem falando o que não se sustenta diante da lógica de criança que estudou a 6 série e aprendeu a interpretar textos em português!

Ander Faria disse...

"... aos olhos de pequeninos na fé ou neófitos". Infelizmente há pouquíssimas pessoas que se preocupam com tais. E de fato, não são estes que atacam um Ministro baseado no achismo sem base com a verdade e com a teologia.

Italo Caldas disse...

Lamentável mesmo esta situação...

Ioná Vanesse do Amaral disse...

Brilhante explanação. Só gostaria de acrescentar que além dessa página da zoeira que foi citada, também há uma página chamada calvinismo da zueira, a qual desqualifica, desrespeita os nossos irmãos pentecostais. Deixei essa página e outras mais exatamente pelas razões expostas pelo irmão. De ambos os lados há muita infantiidade, desrespeito, agressões e isso não edifica o corpo de Cristo.

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