Rádio: um termômetro da fé evangélica no Brasil.

Por Renato Vargens

Na minha perspectiva as Rádios Evangélicas funcionam como um tipo de termômetro do evangelicalismo brasileiro. Se separarmos algumas horas do nosso dia dedicando nosso precioso tempo sintonizando no dial das principais rádios evangélicas do Brasil, teremos um diagnóstico preciso de como anda a Igreja Evangélica brasileira. 

As músicas tocadas, além obviamente das pregações ministradas pelos "apostolos" e profetas da fé,  apontam de forma nítida e eficaz  para o fato de que o evangelicalismo brasileiro encontra-se febril e enfermo. 

A explosão evangélica no Brasil, bem como o crescimento numérico dos neopentecostais tem sido caracterizada objetivamente pela satisfação direta de seus consumidores.

Ouso afirmar que a “livre concorrência” entre algumas destas comunidades cristãs, tem levado seus líderes a adotarem estratégias semelhantes às utilizadas por empresas de marketing que tem por objetivo final “comercializar” seus produtos no mercado. Na verdade, para estas a preferência dos fiéis determina a dinâmica dos discursos religiosos e das práticas a eles relacionados.

Como já escrevi anteriormente o Brasil nos últimos anos tem sido vitima de alguns apagões, os quais proporcionaram seriíssimos problemas a toda sociedade brasileira. No que tange ao Cristianismo, vivemos hoje um sério apagão teológico, onde os mais variados distúrbios doutrinários são observados a começar por essa famigerada onda apostólica.

Pois é, por acaso você já reparou que tudo que essa povo  faz é apostólico? Louvor apostolico, palavra apostólica, rede apostólica, namoro apostólico, casamento apostólico, dízimo apostólico e muito mais.  Se não bastasse isso, nunca vi tanto tipo de unção diferente entre os evangélicos. Basta, ligarmos nossos rádios que ouviremos sobre a unção do riso, do leão, do cachorro, do tombo, do toque do ungido, da loucura, e etc.

Para piorar a situação, as rádios difundem heresias como crentes de segunda classe; troca de anjo da guarda; arrebatamento ao 3º céu; festa dos sinais; night gospel song; sal grosso pra espantar mal olhado; maldições hereditárias; encostos; óleo ungido pra arrumar namorado; sessões do descarrego; “paipostolos”, coronelismo apostólico, música para o diabo, atos proféticos descabidos e burrificados, dentre tantas outras coisas mais, tornaram-se infelizmente marcas negativas dessa geração.

Caro leitor, as praticas litúrgicas por parte da igreja evangélica brasileira fazem-nos por um momento pensar que regressamos aos tenebrosos dias da idade média, até porque, nesses dias, como no século XVI a mercantilização da fé, bem como as manipulações religiosas por parte de pseudo-apóstolos, se mostram presentes. Confesso que não sei aonde vamos parar.

Ao pensar nas aberrações descritas, sinto-me profundamente preocupado com os rumos da igreja brasileira. Até porque, em nome de uma espiritualidade burra, oca e egoísta, centenas de “pastores” movidos pela ganância e o poder, têm corrido desenfreadamente a procura de títulos cada mais aberrativos. Infelizmente a apostolização moderna tem feito de muitos destes, pequenos reis, os quais em cerimônias nababescas são coroados como tais.

A febre do gospel, o mercantilismo podre na vida de muitos, me enojam substancialmente. Há pouco soube por intermédio de um pastor amigo, que uma famosa cantora gospel, tinha no seu staff um travesti.

Sinceramente, não sei onde vamos parar. Sem sombra de dúvidas parte da igreja evangélica brasileira encontra-se gravemente enferma!

Confesso que não suporto mais o misticismo e dualismo promovido pelos gurus da batalha espiritual, não agüento mais ouvir as loucuras dos profetas da mentira, os quais escravizam o rebanho de Deus com heresias das mais hediondas, elaborando mapas, ungindo e urinando nos 04 cantos da cidade. 

Para piorar a coisa, tais práticas doutrinárias encontraram uma enorme aceitabilidade por parte da sociedade, e isto se deve ao fato de que as pessoas deste tempo, buscam desesperadamente por experiências e não a verdade.

Elas não querem pensar, querem sentir;
Não querem doutrina, desejam novidades;
Não querem estudar a Palavra, querem escutar testemunhos eletrizantes;
Não querem adorar, querem shows;
Não querem Escolas Bíblicas, querem circo;
Não querem o evangelho da cruz, desejam o evangelho dos milagres;
Não querem Deus e sim as bênçãos de Deus.

Infelizmente estamos vivendo um tempo de paganização, onde cultos se fundamentam em impressões e achismos. Na verdade, o que determina o sucesso do culto não é mais a Palavra, mas o gosto da freguesia. A igreja prega o que dá ibope, oferecendo ao povo o que ele quer ouvir. Esse evangelho híbrido anuncia Cristo juntamente com o evangelho do descarrego, da quebra de maldições, da prosperidade material e não da santificação, da libertação e dos decretos humanos.

Pois é, diante disto o que fazer?

1) Desconstruir o conceito de que vivemos em nosso país um genuíno avivamento. E para isso torna-se necessário que entendamos que:

· Avivamento não é a pregação de ênfases legalistas.
· Avivamento não é a manipulação do poder de Deus através de sensacionalismo.
· Avivamento não é a celebração de números extraordinários dos que entram pela porta da frente da Igreja.
· Avivamento não é um modismo ou uma ênfase exagerada de um determinado tópico.
· Avivamento não é colocar aquilo que chamamos de “sintologia” acima da Palavra de Deus.
· Avivamento não é uma invenção terrena e sim criação celestial.
· Avivamento não é descer a rua com um grande tambor; é subir ao Calvário em grande choro.

2) Confessar a Deus os nossos inúmeros pecados e arrepender-se do nosso comportamento hedonista e antropocêntrico.

3) Regressar a Palavra de Deus fazendo dela nossa única regra de fé e prática.

Amados, acredito piamente que os conceitos pregados pelos reformadores precisam ser resgatados e proclamados a quantos pudermos. Sem sombra de dúvidas necessitamos desesperadamente de uma nova reforma, porque caso contrário corremos o sério risco de uma infecção generalizada.

Soli Deo Gloria

Renato Vargens

4 comentários:

Deus o abençoe, Rev. Renato. E saiba que o senhor não está só nesta indignição.

Cicero

Campina Grande - PB

Cicero
20 de abril de 2011 14:12 comment-delete

Conforme comentei já em outro post , o que presenciamos hoje é nada diferente , do que Jesus enfrentou , os Apóstolos , os Pais da Igreja , os Reformadores , os Avivalistas dos Seculos XVII / XVIII / XIX . Nietzsche , final do seculo XIX , disse que Deus estava morto ( teotanatologia ), mas o que ele mal sabia , é que já início do seculo XX , uma tal de Rua Azuza , seria o estopim para a propagação do Evangelho em todo o Mundo . Vivemos ainda os resquícios deste movimento . É aguardado outro , que está escrito em Amós 8.11 . Nisto precisamos nos preparar , afim de saciar a fome desta gente , não de pão , nem sede de água , mas sim , de ouvir a Palavra de Deus . Por isso não me espanto e não me alarmo , somente procuro guardar em bom depósito , todo o Conhecimento , para suprir a necessidade dos famintos que virão aos milhares e de todas as partes .

Pr Carlos Sidnei
20 de abril de 2011 16:50 comment-delete

Eles estão fazendo o que o Diabo gosta,estão fazendo tudo,menos pregando a Palavra.Quando Jesus fala as boas novas,o inimigo se manifestava sendo repreendido pelo Senhor todo Poderosos.

20 de abril de 2011 18:47 comment-delete

Caro Pr. Renato Vargens,

Creio que estamos numa mesma luta cristã. Senão vejamos:

"As tendências do Cristianismo popular brasileiro". Um artigo que fala muito sobre o que pastor comenta em seu blog. Se permite:

http://www.marcossampaio.com/2011/02/as-tendencias-do-cristianismo-popular.html

Aviva-nos Senhor com a Tua poderosa Palavra!

Minha contínua admiração,
Marcos Sampaio

20 de abril de 2011 21:25 comment-delete