quarta-feira, março 16, 2011

Pastores que sofrem nas mãos da Igreja – O outro lado da moeda.

Por Renato Vargens

Devido a existência de uma casta de pastores que vivem nababescamente fazendo do nome Deus catapulta para o enriquecimento pessoal, um número incontável de pessoas associam o ministério pastoral a um meio fácil e desonesto de enriquecer e ganhar dinheiro.

Lamentavelmente sou obrigado a concordar que alguns dos chamados “ministros de Deus”, em virtude da fama e do poder que o ministério lhes pode conceder, negociaram a fé, trocando suas almas, sonhos e dignidade por trinta moedas de prata. Tais pessoas imbuídas de uma espiritualidade mistica e sensasionalista transformaram-se em mascates da fé promovendo invencionices escalafobéticas cujo objetivo final é a sua prosperidade financeira. Todavia, ao contrário do que se possa imaginar existem em nosso país, milhares de pastores que não se dobraram diante deste espírito mercantilista. Na verdade, conheço inúmeros ministros do evangelho que passam significativas necessidades simplesmente pelo fato de terem se recusado a vestir a carapuça do coronelismo, optanto assim por viver a vida cristã de forma santa, irrepreensível e ilibada. 

Alguns destes ministros (nem todos, graças a Deus) sofrem horrores nas mãos de seus conselhos, presbitérios e assembleías, que de forma desrespeitosa humilham seus pastores pagando-lhes um salário de fome. Não são poucas as vezes que diante de uma crise financeira a igreja propõe a diminuição do salário pastoral ou o corte do plano de saúde dos filhos, ou até mesmo demissão do ministro. Para piorar a situação, alguns consideram o trabalho do pastor fácil demais, daí não entenderem a necessidade do pastor gozar férias, isto sem falar no massacre emocional que fezem sobre a esposa e familia do pastor exigindo deles perfeição em todos os momentos da vida.

Caro leitor, ouso afirmar que alguns irmãos não tratam seus pastores como deveriam. Vez por outra recebo emails ou ouço de algumas pessoas criticas relacionadas ao salário dos pastores. Ora, como mencionei anteriormente, sei existem alguns pastores que vivem nababescamente usufruindo do dinheiro do povo de Deus, no entanto, a esmagadora maioria dos líderes cristãos lutam com dificuldade para sustentar suas famílias. Sei de incontáveis histórias de homens de Deus que trabalham duro fazendo tendas, visto que a igreja que pastoreia não valoriza o seu serviço pastoral pagando-lhe um salário digno.

Ora, assim como os membros de sua igreja o pastor precisa pagar suas dividas, saldar seus impostos, vestir seus filhos, pagar escola, comprar material escolar, e tantas outras coisas mais. No entanto, parece que parte da igreja de Cristo encontra-se anestesiada quanto as necessidades de seus líderes espirituais, mesmo porque, para alguns o pastor não deveria receber salário.

Há pouco soube de uma história no mínimo triste. O tesoureiro de uma igreja teve a cara de pau de afirmar o seguinte: - “Ué, ele não é pastor? Que viva pela fé! A igreja não tem dinheiro para pagar este mês o salário dele.” Em outra situação, a junta diaconal disse: “Ele tá reclamando de que? Ele que espere! Quando a igreja tiver dinheiro paga o que lhe deve!”

A Bíblia ensina que quem ministra do altar deve viver do altar. "Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que de contínuo estão junto ao altar participam do altar? Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho."

Caro leitor, a orientação do Senhor é clara em afirmar que os que anunciam o evangelho que vivam dele. Além disso, as Escrituras afirmam que os “Os anciãos que governam bem sejam tidos por dignos de duplicada honra, especialmente os que labutam na pregação e no ensino. Porque diz a Escritura: Não atarás a boca ao boi quando debulha. E: Digno é o trabalhador do seu salário” ( Timóteo 5:17-18) 

Diante do exposto, acredito que a Igreja de Cristo deva tratar com amor, respeito e consideração àqueles que no Senhor os tem presidido. Lidar com desdém e desprezo o salário de homens de Deus que dedicam suas vidas a oração, ensino e pastoreio de vidas é opor-se aos ensinamentos dos apóstolos.

Pense nisso!

Renato Vargens
Letícia disse...

É muito triste que não se reconheça as necessidades desses homens, que muitas vezes viram madrugadas orando e clamando a Deus pelas nossas vidas, que renunciam a tantas coisas por amor às ovelhas que Deus lhes confiou... Deus nos guarde do egoísmo e da ingratidão!

Anônimo disse...

A maioria das igrejas nem salario paga da uma "ajuda de custo"

Saulo Lopes

Daniel.com disse...

Excelente artigo Pr. Renato

Estou na metade do seminário e sei que a chamada de Deus em minha vida é para o pastoreio integral... Minha Igreja local também reconhece o chamado de Deus na minha vida e todos estão cientes que estou me preparando para sevir melhor ao Reino e a Igreja...

Suas palavras foram edificadoras em minha vida...

Que Deus abençõe a todos!!!
Fique na Paz!!!

Jony disse...

Pr. Renato, a situação é mesmo complicada. Conheço o testemunho de muitos pastores que trabalham duro no campo e são honrados pelo ministério com deveriam. Passam a vida, trabalhando duro na obra de Deus e quando envelhecem tem que depender dos filhos para não morrer de fome.

Pr. Flavio Constantino disse...

Querido Pastor Renato,

A Paz do Senhor,

Dizer mais o que? Se o senhor já disse tudo.

Penso em colocar essa postagem em meu blog, é claro indicando a fonte e o autor.

Que Deus continue contigo,

Um grande abraço,

No Amor de Cristo,

Pastor Flavio Constantino.

Anônimo disse...

Prezado pastor Renato,
Graça e Paz.

Estou totalmente de acordo com o seu texto, que nem deveria ser escrito! Caso se cumprisse a ordem bíblica. Sou do tempo que o pastor era realmente honrado como homem e servo de Deus. Hoje, quando não é idolatrado é desprezado. Na melhor das hipóteses, é respeitado, enquanto ele não "se meter na vida" das pessoas.

Estamos vivendo um tempo difícil no Brasil. Creio que a igreja brasileira está vivendo uma crise de identidade das mais graves. Neste momento, ela não sabe se pertence ao mundo ou ao Reino de Deus. Claro que estou me referindo no geral. Existem igrejas locais que são verdadeiros exemlos em seu papel neste mundo.

Tenho 52 anos (completos), sou pastor desde 97 e nunca recebi salário da igreja. No máximo uma ajuda de custo de R$ 250,00 durante 6 anos, até ser cortado. Servi a igreja local e o Reino de Deus, com honradez e fidelidade. Sempre honrei a Palavra de Deus acima dos modelos, métodos e modismos. Claro que tenho erros, e quem não tem, mas naquilo que me foi dado fazer, sempre fiz com temor.

Durante 6 anos, servi em missão, em outra cidade, sempre do mesmo jeito. Foi durante esse período que me cortaram a ajuda de custo. Hoje, estou sem igreja e sem ministério. Pois fui convidado a deixar o quadro de pastores da igreja, e seguir o "meu caminho". Os motivos foram mesquinhos!

Estou contando isso tudo, para provar que seu texto tem fundamento e reflete toda a verdade por que passa uma grande quantidade de homens que foram chamados por Deus, para um ministério excelente.

Infelizmente ainda temos muito que aprender como igreja. Ouvimos muito falar que a igreja deve ser relevante em nossa sociedade, mas ela não é relevante em sí mesma.

Estou assinando este comentário como anônimo, apenas para não expor alguém que possa ler e estar envolvido com os fatos. Apenas por ética!

Um forte abraço,
Um pastor.

Tânia disse...

Querido pastor,
este texto vem em boa hora. Nestes 11 anos de pastorado, tenho passado muita coisa... gostaria de pedir sua ajuda para anunciar meu livro (que muitos pastores não gostaram) "O amor se esfriará de quase todos" que fala justamente e a duras penas justamente sobre isto - o esfriamento do amor NAS igrejas.
Desde já agradeço sua ajuda, pois estou precisando muito também me sustentar já que nem salário tenho... Deus te abençoe.
Pra. Tânia Guahyba
http://soaverdadeverdadeira.blogspot.com

Johnnÿ Sleazer disse...

Na minha igreja meu pastor prega uma palavra extremamente séria, as outras congregações em geral chamam-nos de seita por causa disso! DEUS, hj ser santo é ser uma SEITA! O mundo está perdido mesmo!

Diácono Junior disse...

É muito serio esse assunto, muitas vezes ouvir de membros e oficiais a mesma coisa supra relatada. Deveriamos perguntar assim... Mas como pregaram se não comem, como comeram se não pregares? Quero aqui deixar meu intento de orar pelos pastores e lideres que enfrentam tal coisa.

Blog de Robson Oliveira disse...

Prezado Pr. Renato,

li e gostei tanto do texto, dado tratar com tamanha realidade de questão TÃO crítica nas igrejas evangélicas brasileiras, que até o adicionei em meu Blog (obs: citando, é claro, o autor e a fonte).

PS: enviei-o também para alguns amigos, a maioria pastores, e alguns até responderam confirmando que tem experimentado nas mãos de juntas diaconais coisas semelhantes ao que foi relatado pelo irmão... Mas ao mesmo tempo também, pela graça de Deus, deram testemunhos da MARAVILHOSA experiência c/ o Deus que SEMPRE provem e sustenta os chamados por Ele, mesmo na infidelidade de alguns irmãos. Deus é fiel!!! Se não fosse por Ele, de nada valeria TODO o nosso esforço no Ministério.

Que Deus o abençoe cada vez mais e desperte a igreja brasileira no tocante a vontade do Senhor.

Em Cristo,

Robson Olvieira*

*pastor por vocação e Analista/Consultor SAP R/3 por profissão.

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