apóstolos: os generais e ditadores da fé

Por Renato Vargens
Infelizmente nos últimos anos, alguns dos pastores brasileiros, têm procurado construir reinos onde os seus nomes pessoais estejm em relevante evidência. Isto é absolutamente perceptível no neopentecostalismo cujo apóstolos, profetas e paiostólos competem uns com outros em busca de títulos.

Como inúmeras vezes compartilhei, confesso que tenho estado impressionado com a capacidade de alguns dos evangélicos em criar coisas novas. Se não bastasse a “hierarquização do reino”, nossos arraiais têm sido tomados pelo súbito aparecimento de estruturas monárquicas, onde apóstolos em nome de Deus mandam e desmandam na vida alheia. Tais homens, como ditadores da fé, têm feito do rebanho de Cristo propriedade particular. Além disso, os apostolos em questão, sem o menor constrangimento “militarizaram a comunidade dos santos, obrigando a seus liderados a se submeterem sem questionamento as suas ordens e determinações.

Em estruturas como estas, é absolutamente comum exigir-se dos crentes, submissão total. Em tais comunidades, a vida cristã é regida exclusivamente por um sistema onde coronelismo e arbitrariedade se misturam. Infelizmente, aqueles que porventura ousem opor-se a este estilo de liderança, sofrem sanções das mais estapafúrdias possíveis.

Em nome de Deus, tais pessoas rogam “pragas e desgraças” para aqueles que em algum momento da vida se contrapuseram a seus sonhos e vontade. É nesta perspectiva, que tem emergido em nossas comunidades o toma-la-dá-cá evangélico. Basta o chefe no trabalho ser um pouco mais chato pra se orar contra ele, ou até mesmo alguém discordar da forma do pastor conduzir o rebanho, que lá vem maldição. Em certas igrejas a palavra “rebeldia” tem sido usada para todo aquele que foge dos caprichos fúteis de uma liderança enfatuada. Em tais comunidades, discordar do pastor quase que implica com que o nome seja colocado na “boca gospel do sapo”.
Para piorar, tais líderes partem do pressuposto que o pastor em nome de Deus tem o poder de amaldiçoar outras pessoas através da oração positiva e determinante. Em outras palavras, tal ensinamento afirma categoricamente que aqueles que agem desta maneira, podem rogar ao Senhor da glória o aparecimento de desgraças e frustrações na vida de seus desafetos, determinando assim a desventura alheia.

À luz disso, não tenho a menor dúvida em afirmar que comportamentos como estes não ficam a dever em nada aos trabalhos de macumba e vodu que são feitos nas esquinas e encruzilhadas deste Brasil tupiniquim. Infelizmente a igreja evangélica mergulha em alta velocidade no buraco da sincretização, deixando pra tras valores, virtudes e princípios onde a afetividade e o amor deveriam ser marcas indeléveis de uma comunidade que conhece a Cristo.

Amados, não nos esqueçamos que somos o povo Deus, nação santa, sacerdotes do Deus vivo. Na perspectiva do reino, todos absolutamente TODOS possuem acesso ao trono da graça não necessitando assim criar estruturas monárquicas fundamentadas em experiências muitas das vezes esquizofrênicas e adoecedoras. Quero ressaltar que para nós cristãos, a essência da igreja resumi-se na maravilhosa verdade que nos ensina que fomos chamados para fora deste sistema perverso, ambíguo e separatista, e que agora, independente de classe, cor, posição social, reunimo-nos TODOS indistintamente em torno do Cristo nosso Senhor como a comunidade dos santos.


Renato Vargens

5 comentários:

Graça e Paz Pastor,
Perdoe-me,mas discordo do senhor no tocante a isso, porque creio que quando o Sr. Jesus disse: Aquele que dentre vós quiser ser o maior, seja servo de todos, isto, ao meu ver, implica em uma forma de hierarquização sim, isto para citar apenas um exemplo, o fato da pessoa do Renato ser ordenado como pastor,já o coloca numa posição de liderança, e se há um líder, necessariamente haverá um liderado! Embora eu admire sua liderança servil, não dominadora, não há como negar que há sim uma hierarquia no Reino de Deus, basta que olhemos a separação dos 12 apóstolos dentre os demais discípulos, a instituição dos diáconos, as "qualificações" para presbíteros (bispos), entre outros exemplos. Em que pese ter um outro contexto cultural, a história da igreja está repleta de exemplos de liderança; friso que não endosso alguns que se auto-proclamam e passam a exercer uma liderança "autoritária", mas até essa em alguns momentos é importante. Por fim, quero explicitar que entendo o seu ponto de vista, e até concordo com a sua indignação, mas daí a desprezar preceitos estabelecidos pelo próprio Deus e confirmados ao longo da história da igreja, penso que é temerário. Não pretendo com isso confrontar sua opinião, e sim expor mais um ponto de vista: A igreja necessita de uma liderança saudável, bem como de uma relação de obediência(hierarquia) sob pena de dar lugar a um estado de anarquia próximo ao caos. Abraço fraternal, Pastor Marcos, servo de Jesus Cristo. de

21 de agosto de 2009 01:33 comment-delete

Oi Pastor Renato! Realmente, é impressionante como hoje em dia tem surgido essas oliquarquias, o que para mim é resquicio do catolicismo romano abrasileirado misturado com essa falsa "percepção" que o cara que está lá no topo paea servir comunidade dos santos reuinidos ali( a igrjea, no caso, hehe) é o mais "calibrado" para ter acesso e com maior autoridade de interpretação e comando! tem uns que parecem discipulos do Benny Hinn, pois toda hora o "Espirito" fala nos corações deles, hehe!

estarei colocnado esse artigo no meu blog, e espero ver a divulgação na lista da Mary Schultze, hehe!

Abraços
Armando Marcos

21 de agosto de 2009 03:20 comment-delete

Para quem já teve um pastor tirano como tive,entendo muito bem esse texto ,pq o tal pastor em nome da tal hierarquia tripudiava suas ovelhas ,mas pela graça e misericórdia do senhor Ele me livrou desse "mal".

21 de agosto de 2009 10:13 comment-delete

Este artigo fala de algo que tem produzido muitas figuras que intitulando-se de "apóstolos", e arrogando poderes especiais, tem explorado e oprimido muiitas igrejas e comunidades.
Mas também nos faz um alerta contra a própria organização eclesial, a qual sendo assemelhada na forma de organização às empresas e organizações mundanas tendem a nos guiar por valores e conceitos próprios delas.
Se assim acontece, a igreja, que deveria ser uma agência do Reino, dirigida segundo valores e ditames do Reino, acaba se tornando uma cópia das estruturas de empresas e organizações humanas, onde a disputa de poder, os resultados materiais, e os interesses pessoais e de grupos, causam separação e contenda, ao invés de promover unidade e fraternidade.
Em igrejas tomadas por essa postura, assitimos o confronto direto com aquilo que o Senhor Jesus ensinou explícitamente como no caso do que Ele falou em Marcos 9:35 ("...se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos.") e Marcos 10:44 ("...e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos."), e o que vemos é uma estrutura que se mundaniza e busca estabelecer hierarquias. O pretexto é o de organizar, mas não consegue justificar a atitude de tiranizar e explorar que nelas é exercitada.
Essa forma de organização favorece a tentação de poder com a qual tantos homens de Deus tem sido corrompidos e maculado sua trajetória ministerial.
Penso que viver em uma estrutura eclesial moldada por organogramas e hierarquias, torna necessária consciência desse risco e uma profunda espiritualidade que permita ao homem não ceder a contaminação do poder.
E isso, eu entendo que aumenta o peso dos ministérios e papéis de cada um.

Pr. Cláudio Macêdo

21 de agosto de 2009 12:50 comment-delete

Também acho que atitudes assim refletem uma realidade,situação muito negativa de querer militarizar como o senhor diz no texto.Digo negativa porque quando dizemos militarizar,hoje,infelismente, aponta para uma arma na cabeça de qualquer pessoa,,bom espero que os irmãos entendam o que quero dizer .Desta forma,eles vão agindo como se Deus estivesse em uma parceria com eles.São Homens totalmente perdidos,achando que a visão deles é emetrope,mas estão abarrotados de escamas.Deus não é um Deus de pressão,é de alívio.Jesus era humilde e fazia tudo em nome do Pai,pois Ele era o própio Pai.Não é fantástico!!!Que tenhamos líderes sim,mas sabendo usar a sabedoria no momento certo de agir, de se impor,mas pregando que Deus é bom e sua misericórdia dura para sempre!
QUE DEUS NOS DÊ SABEDORIA !!!

22 de agosto de 2009 22:32 comment-delete