A fila andou.

Uma leitura sobre os jovens e a Sexualidade na igreja nos dias de hoje. (Renato Vargens)

Infelizmente a banalização da sexualidade definitivamente tomou conta de boa parte dos arraiais evangélicos.

A afirmação de que sexo antes do casamento é pecado, sempre foi defendido por praticamente todas as igrejas protestantes. Todavia, por fatores dos mais diversos, tais princípios não estão sendo obedecidos por mais da metade da juventude evangélica brasileira. É exatamente isso o que diz um extenso trabalho de pesquisa entre 1994 e 2000 realizado pelo Ministério Lar Cristão.

Num levantamento inédito, que ouviu mais de cinco mil rapazes e moças, membros de 22 diferentes denominações, o resultado veio ao encontro daquilo que se suspeitava há muito tempo, mas nunca tinha sido comprovado assim, na fria lógica dos números:

Nada menos que 52% dos jovens evangélicos criados na igreja praticam o sexo pré-nupcial. Destes, a metade não fica numa única experiência e mantém vida sexual ativa com um ou mais parceiros. Segundo a pesquisa, a idade média da perda da virgindade é de 14 anos, para os garotos, e 16, para as moças, ou seja: para horror de pastores, pais e educadores, quando o assunto é sexualidade juvenil, a Igreja está se aproximando cada vez mais dos padrões liberais da sociedade moderna.

A revista Isto É, de 23/08/2006, nos traz a informação de que a iniciação sexual por parte dos adolescentes brasileiros é cada vez mais precoce nas camadas mais pobres da sociedade. Isto é perceptível principalmente nas classes D e E, onde 16,8% deles se iniciam com apenas 13 anos.

Nas faixas menos favorecidas estão 26,7 milhões com menos de 18 anos. Entre os seis milhões dos setores mais ricos do país, as classes A e B, o índice cai para 13,9%. Na classe C, com 15,1 milhões de jovens e adolescentes, a taxa é de 15,7%. A amostragem da pesquisa se refere a todos os 47,8 milhões de jovens das regiões metropolitanas, periferias, interiores e áreas rurais.

Tenho a impressão de que o fato de incentivarmos as nossas crianças e pré-adolescentes a desfrutarem de um mundo a qual não lhes pertence, contribui significativamente para empobrecimento da sociedade brasileira. A cada ano que passa, as crianças desse novo tempo vem abandonando praticas da meninice em detrimento de uma maturidade abstrata e superficial. No afã da maturação, muitas vezes incentivados por seus pais, tais crianças, cedo, param de brincar de boneca, de botão, de bola, de pique, e outras coisas mais, isto porque, o chique é ter filhos cada vez mais “maduros”. Junta-se a isso, o fato de que a mídia tem também contribuído de forma negativa e pejorativa imprimindo em nossa sociedade valores absolutamente antagônicos a santa Palavra de Deus.

É inegável que os meios de comunicação ao longo dos anos imprimiram em nossas crianças a aceleração do descobrimento bem como o afloramento precoce da sensualidade e sexualidade. Basta repararmos nas meninas que cada vez mais cedo, abandonam as brincadeiras de boneca em detrimento do namoro com um menino.

Ora, uma sociedade, que não respeita tempos, fases e etapas, contribui efetivamente para o surgimento de relacionamentos irresponsáveis e fúteis.

Por outro lado não nos é possível desprezar o fato de que em nome da liberdade, da graça barata e do gospel, irmãos preciosos, têm desenvolvido relações afetivas temporárias onde o que importa é beijar muito. Nesta perspectiva, é comum observarmos rapazes e moças trocarem de parceiros sem a menor preocupação com aquilo que Deus pensa ou diz. Neste contexto, é absolutamente corriqueiro, jovens zombetearem das relações terminadas, afirmando que a fila andou.

Ora, sou contra a banalização das relações, sou contra as "ficações" que contribuem para o adoecimento da alma de nossos adolescentes e jovens, sou contra o beijar por beijar, como também contra ao sexo antes do casamento.

Salomão em sua grande sabedoria afirmou que existe um tempo determinado para todas as coisas na vida. Sim, isso mesmo, na vida existe momentos pra tudo! Há tempo de plantar e tempo de colher, há tempo para abraçar e deixar de abraçar, em outras palavras isso significa dizer que existe um tempo determinado por Deus para desfrutarmos de carinhos, afagos, abraços e beijos de alguém. Em contra-partida, isso significa dizer também que existem momentos na vida, que somos chamados a um momento de reclusão onde outros valores necessários a uma existência plenificada nos são trabalhados.

Cabe, portanto, a nossa geração rever nossos valores não nos deixarmos moldar pelos pressupostos deste sistema. Somos chamados por Deus a vivermos uma vida onde a liberdade e a responsabilidade transformam-se em marcas de uma geração comprometida com seu Senhor e consigo mesma.

Soli Deo Gloria!

Renato Vargens

6 comentários:

Pr. Renato, muito importante esse assunto, que deveria ser mais comentado por nossos pastores. Digo a você que não só os jovens que não creem mais no sexo pós-nupcial. Conheço muitos cristãos adultos, casados inclusive, que defendem o sexo antes do casamento e que o incentivam para seus filhos. Assim fica muito difícil, né!

Quero aproveitar o espaço para fazer uma sugestão. Procurei pela rede e senti falta de um podcast com debates bíblicos e teológicos. Todos os podcasts evangélicos são "gospel", ou seja, só apresentam músicas "gospel". Acho que você seria a pessoa ideal para criar um podcast com cristão conversando sobre temas bíblicos, esses temas que você aborda no seu blog. Seria muito interessante. O que você acha de juntar um pessoal compromissado com a Bíblica pra conversar um pouco e criar este podcast?

A paz?

17 de agosto de 2010 15:18 comment-delete

A Paz do Senhor!

Pastor Renato, recebi esta mensagem no twitter e estou repassando para que o sr verifique se todo o conteúdo é seu.

@pcamaral @Guiame Prezado Bispo, gostaria muito de entender o que aconteceu http://migre.me/15o3r

O link direciona para este endereço

http://www.copamm.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6&Itemid=6

17 de agosto de 2010 16:15 comment-delete

Pc Amaral,

Esse Senhor pegou os meus textos a revelia, sem a minha autorização e publicou no site dele.

Renato VArgens

17 de agosto de 2010 16:19 comment-delete

Renato,
Acho que isso também pode ser explicado pelo fato das pessoas se casarem cada vez mais tarde. Existe um check list na ideologia da classe média bem grande antes do casamento.

As pessoas se casam bem mais tarde hoje.
A santidade dura um certo tempo...

Anônimo
17 de agosto de 2010 20:52 comment-delete

Excelente texto Renato, mais uma vez parabens!!!

Ainda não tenho filhos, mas vejo muita criança de 6,7, 8 anos usando mini saia, salto, garotas de 12 anos ficando, indo em festas, contando esperiências sexuais, e o tempo de criança foi parar onde? Tenho dois anos de casamento, nenhum dos dois casou virgem, uma pena, perdemos a benção de desfrutarmos juntos esta fase da vida, preferimos nos moldar ao sistema. Quando começamos a namorar eu já estava bem ciente dos meus erros e ela tb, então colocamos nosso relacionamento diante do Senhor e invetimos ebm nosso tempo de namoro, no lugar de muita pegação, preferimos muita converssação e isso nos rendeu um excelente conhecimento um do outro. Hoje ficamos horas debatendo a vida, é muito bom, e nossa relação intima... a melhor possivel !

Se me permitir eu gostaria de publicar este texto no http://www.cabecajovem.com

Algum problema??

um grande abraço

Twitter: @cabecajovem

17 de agosto de 2010 23:44 comment-delete

Pr. Renato,isso tudo é muito grave,mas eu creio que os pais são responsavéis ,eu não tenho filhos biológicos,mas tenho 2 enteados que criei como se fossem meus,não é facil criar filhos,os pais tem que ter a consciência é trabalhoso e exige tempo integral ,meus filhos foram educados em um lar cristão,nunca deixamos ficar na cama até ao meio dia aos domingos ,levantavam cedo para ir a EBD,em casa todos os dias antes de dormir liamos a bíblia,oravamos,quando meu filho mais velho quis aprender a tocar um instrumento meu esposo fêz um sacrifico ,deixamos de comprar algo para casa para investir Sax que ele tanto queria,todos os sabádos levavamos aos ensaios,hoje ele é professor de música na igreja.
Com minha filha a mesma coisa,estudou,namorou,tudo no seu devido tempo,mas sempre com a nossa supervisão,graças a Deus nunca nos deram trabalho,hoje são casado,casaram-se virgens ,minha filha teve um casamento de princesa ,com muito orgulho seu pai a levou até o altar,da mesma foram meu filho.
Muitas noites em oração ,muitas noites levando e buscando das reuniões mocidade da igreja,muitas vezes com dor no coração diziamos não para algum pedido que sabiamos que mais tarde iria dar problema.
Valeu a pena o ,se os pais hoje em dia deixarem de achar que a escola e a igreja tem obrigação de educar seus filhos,e tomarem eles mesmo as rédeas da situação muita coisa pode melhorar.

Em Cristo

18 de agosto de 2010 08:28 comment-delete