O Calvinismo é do diabo?

Por Renato Vargens



Hoje pela manhã um irmão amado me escreveu muito preocupado com aquilo que o seu pastor estava ensinando no púlpito de sua igreja. Segundo o irmão, o pastor afirmou enfaticamente que o Calvinismo é proviniente do diabo. Há pouco  ouvi de uma outra pessoa a afirmação de que o sistema doutrinário de Calvino foi inspirado pelo Cramulhão e que em virtude disto devemos rejeitar seus ensinos heréticos. Se não bastasse isso, no meu BLOG, volta e meia aparecem alguns  comentários raivosos de pessoas criticando  o que chamam de "teoria" calvinista. Certa feita um amigo compartilhou comigo que uma outra pessoa o havia criticado pelo fato dele ter o hábito de ler um blog Calvinista, que na sua sua perspectiva possui uma teologia inimiga da verdade.

Caro leitor, vamos combinar uma coisa? A esmagadora maioria dos comentários sobre o que seja o Calvinismo são absolutamente estapafurdios!  Lamentavelmente as afirmações de boa parte daqueles que combatem o Calvinismo estão desprovidas de subsidios bíblicos e teológicos.

Bom, isto posto, torna-se necessário explicar algumas coisas:

1- ) Apesar de alguns acharem que o Calvinismo trata somente da predestinação dos salvos e da condenação dos réprobos, é importante afirmar que o Calvinismo é muito mais amplo do que isso.

2- ) Calvinismo é o nome que popularmente se dá à formulação teológica que enfatiza a glória de Deus e sua soberania sobre tudo e todos.

3-) O Calvinismo recebe este nome por causa do reformador francês João Calvino, que foi o primeiro grande sistematizador da teologia cristã protestante. O que muitos ignoram, no entanto, é que Calvino não foi o “inventor” do calvinismo. A doutrina que envolve a soberania de Deus sobre os assuntos humanos, a predestinação do homem para a salvação e, conseqüentemente, para a condenação, a total pecaminosidade do homem não-regenerado que o impede de dar qualquer passo em direção a Deus, a negação do livre-arbítrio como fator soteriológico,  já era pregado por Lutero e os outros reformadores. Esta doutrina também era ensinada pelos pais primitivos, e muito especialmente nos escritos de Agostinho, bispo de Hipona, depois canonizado pela igreja católica. Enfim, a doutrina calvinista sempre existiu, embora com outros nomes, porque ela é bíblica e encontra suas bases mais sólidas nas sublimes afirmações de Jesus e do apóstolo Paulo.

O Principe dos pregadores Charles Spurgeon, que viveu em uma época semelhante a nossa, onde prevaleceu uma evidente insatisfação e desgosto para com o calvinismo, não hesitava em declarar que não concebia pregação do evangelho que não fosse calvinista:

"Minha opinião pessoal é que não há pregação de Cristo e este crucificado, a menos que se pregue aquilo que atualmente se chama calvinismo. É cognome chamar isso de calvinismo; pois o calvinismo é o evangelho e nada mais. Não creio que possamos pregar o evangelho... a menos que preguemos a soberania de Deus em sua dispensação da graça; e também a menos que exaltemos o amor eletivo, imutável, eterno, inalterável e conquistador de Jeová; como também não penso que podemos pregar o evangelho, a menos que o alicercemos sobre a redenção especial e particular do seu povo eleito e escolhido, que Cristo realizou na cruz; e também não posso compreender um evangelho que permite que os santos apostatem depois de haverem sido chamados".
 
Prezado amigo, encerro este pequeno artigo compartilhando quatro vídeos sobre o Calvinismo que foram baseados em um sermão de Charles Haddon Spurgeon.

Louvado seja Deus pela sua graça!

Renato Vargens









16 Response to "O Calvinismo é do diabo?"

  1. Clóvis Gonçalves 29 de junho de 2011 14:47
    Pr. Renato,

    É uma pena que a maioria dos que criticam o calvinismo o fazem baseados em caricaturas dele e não em seus ensinamentos. Gosto de ver alguém que compreende as doutrinas chamadas calvinista e discorda delas apresentando argumentações bíblicas contra ele. Mas fico triste em ver gente demais "malhando um espantalho".

    Sou calvinista. Não porque alguém mais é ou foi. Mas porque é o que vejo ensinado de forma clara e consistente na Bíblia Sagrada.

    Em Cristo,

    Clóvis
    Editor do Cinco Solas
  2. Geração Livre 29 de junho de 2011 15:32
    Não sou Calvinista. Mas amo a visão calvinista. Acredito que seja o que mais se aproxima da verdade que eu creio.

    Sou um judeu messiânico e o que eu vejo no calvinismo é muito próximo senão idêntico ao que vejo no judaísmo messiânico.

    Parabéns pelo texto
  3. Anônimo 29 de junho de 2011 16:20
    Olhe que interessante este estudo http://univgospel.vilabol.uol.com.br/estudos/escolha.htm
  4. Luiz Augusto 29 de junho de 2011 16:51
    Renato Vargens, pode reparar que a maiorida das pessaos que criticam os calvinismo são justamente aquelas que não tem quase nenhuma ou pouco entendimento teológico (bíblico). Pessoalmente eu fico triste como hoje em dia os cristãos usam dos meios mais baixos para defenderem as suas opiniões anti-biblicas. Aqui na minha cidade eu já estou cansado de ouvir pastores e mestres dizerem a congregação que teologia é ensino de homens. Resultado? O povo fica alienado, sem interesse de estudar doutrina e depois sai falando do que não sabe. Muito triste. Eu gostaria no amor de Cristo que a igreja hoje procurasse compreender melhor a Deus e sua vontade por meio das escrituras...
  5. Anderson Costa 29 de junho de 2011 16:51
    O pastor dele é um idiota, ele também é um idiota, o teste é muito simples: OLHE PARA O SEU CORAÇÂO, veja quem são os hospedes dele e certamente entenderá o 'T' da tulip, os outros (ou outras letras U.L.I.P.) são inevitáveis.

    PS. Idiota (do grego idiótes, na acepção vulgar aquele absolutamente ignorante em algum ofício, homem sem educação, ignorante, pelo latim idiota), é a pessoa desprovida de inteligência. Idiota do latim idiote , refere-se a individuo incapaz de diferenciar periculosidade em suas atitudes.
  6. Alinson 29 de junho de 2011 16:53
    Pastor, a maioria das minhas idéias batem com as do Calvinismo, porém tem um pergunta que eu nunca consegui responder sobre a eleição incondicional. Se aqueles que serão salvos já foi determinado antes de eu nascer , porque preciso evangelizar, ou com que propósito?
  7. Renato Vargens 29 de junho de 2011 17:27
    Alinson,

    Primeiramente é importante que vc entenda que somente Deus sabe quem vai ser salvo, eu e vc não. Em segunda lugar Ele decretou que o Evangelho fosse pregado pela sua igreja. Quando pregamos somos instrumentos de Deus para a Salvação dos eleitos e de condenação para os réprobos.

    Spurgeon costumava dizer: "Vocês e eu, somos constrangidos a pregar o evangelho, mesmo que nenhuma alma jamais seja convertida por ele; pois o grande propósito do evangelho é a glória de Deus, visto que Deus é glorificado mesmo naqueles que rejeitam o evangelho".

    Abraços,

    Renato Vargens
  8. Thiago Ibrahim 30 de junho de 2011 11:42
    Pastor Renato,

    Tenho me alimentado muito e todos os dias do seu blog, que me serve como devocional nos momentos de reflexão sobre as escrituras.

    Nesse momento estou lendo o livro "Calvinismo" de Abraham Kuyper (disponível para download no Scribd: http://goo.gl/hQSgN). O livro trata o Calvinismo como sistema teológico que a igreja deve adotar como bíblico. É uma dica.

    A minha opinião é que, quando se trata de salvação, é mais fácil ensinar nas igrejas o arminianismo (doutrina anti-bíblica), que colabora para acabrestar cristãos, exatamente pelo medo que a liderança tem de deixar que as pessoas vivam a liberdade que Cristo nos oferece e que Paulo fez questão de abordar em Gálatas 5:1.

    Que fique claro uma coisa: eu fui doutrinado no arminianismo. Na igreja onde fui criado, só falar o nome Calvinismo é considerado ofensa. Triste que isso aconteça, mas acontece por falta de conhecimento teológico.
  9. sandrowagner 30 de junho de 2011 11:54
    É interessante o desconhecimento das doutrinas da Graça em nosso país.

    A demonização do Calvinismo é a demonstração do quanto o Evangelho pregado e vivido em nosso país é centrado no homem. A Glória de Deus é trocada pelo holofotes próprios. Assim como a visão de Reino é transformada em construções de impérios!

    A falta de percepção de que a maioria das igrejas relevantes e que tem batalhado pelo construção de uma cosmovisão cristã unida a práxis transformadora do Evangelho é constituída por muitas comunidades independentes e jovens com todo o arcabouço doutrinário calvinista.

    Outra questão bem pertinente é que igrejas ainda avessas a visão reformada tem começado em suas trincheiras a ter manifestações de jovens calvinistas e contemporanistas! Isso é sem dúvida um fato entre nós.

    Creio que a única forma de avivamento por nossa nação passará apartir de um despertamento doutrinário que busque a Glória de Cristo acima de qualquer cisma eclesiastico ou construção de ícones personalistas.

    Toda a Glória a Ele!
  10. Josué de Oliveira 30 de junho de 2011 13:06
    Não sinto necessidade de me enquadrar em algum sistema doutrinário fechado (calvinismo, arminianismo, teísmo aberto, etc.). Há certos ensinos do calvinismo com os quais não tenho problemas, outros que me parecem um total disparate. Mas há que se conhecer aquilo de que se está falando, do contrário corre-se o risco de malhar o espantalho, como já foi dito mais acima.
    E ter sempre em mente que sistemas doutrinários não são o mais importante para pôr em prática a vocação cristã.
  11. Rodrigo 30 de junho de 2011 15:19
    Não dou crétido a teologia que ganhou o cognome "Calvinismo". Creio sim na soberania do Senhor Altíssimo. Mas segundo textos 'calvinistas' que já li a respeito, resumidamente transmitem a idéia de que muitos condenados - senão todos - serão, assim, condenados ao inferno por terem sido eleitos para tal coisa por Deus.

    Mas a própria Palavra nos diz, várias vezes, que Deus não se compraz na morte do ímpio e quer que todos chegem ao conhecimento da verdade.
  12. Cleison Brugger 2 de julho de 2011 15:17
    Creio haver extremos de ambos os lados, e isto, já é sabido por todos.
    De um lado, temos arminianos que, sem conhecimento bíblico-teológico, julgam o calvinismo (os calvinistas) erroneamente, sem que antes parem para avaliar ou fazer justas considerações.
    Porém, de outro lado, temos muitos calvinistas extremados, que só pelo fato de os arminianos pensarem diferente, já os chama de anti-bíblicos (como dito acima), ignorantes, etc. Conheço excelentes teólogos calvinistas, como muitos excelentes teológos arminianos. Basta lermos e ouvirmos A. W. Tozer e Leonard Ravenhill para sabermos do que estou falando.
    Assim, creio que as palavras de Santo Agostinho soam relevantes para nós: "No essencial, unidade; nas diferenças, liberdade; em todas as coisas, caridade".

    Paz e bem.
  13. Anônimo 5 de agosto de 2011 15:44
    Cleison Brugger, disso tudo!

    Não sou calvinista (sinceramente estou bem longe de sê-lo!), mas para mim o maior problema do Calvinismo não é o sistema de doutrinas em si (somente), e sim a famosa e já conhecida "arrogância calvinista", que exala de todos os poros de alguns ditos calvinistas...

    Além deste, tem também os velhos e conhecidos problemas dos efeitos que o calvinismo gera em algumas igrejas. Quem conhece bem o contexto presbiteriano, só para citar um exemplo, sabe que em muitas destas igrejas (não todas, mas MUITAS), jovens vivem uma vida de promiscuidade impublicável, golpes contra pastores são desferidos no cair da tarde, há um marasmo quando se fala em evangelismo de qualquer espécie... e por trás de cada uma destas coisas (e de outras) está uma inferência que fora feita por estes irmãos sobre algum ponto da TULIP.

    Por exemplo: posso pecar porque sou escolhido; posso me levantar contra meu pastor, pois o que tiver que ser vai ser; não é realmente necessário evangelizar, pois é apenas uma ordem bíblica sem real importância para a salvação do perdido que vai ser salvo de qualquer forma porque já está eleito... e por aí vai.

    Sei que todas essas "compreensões" são erradas e errôneas, por isso concluo que: o maior problema do Calvinismo não é apenas seu sistema de doutrinas (que na minha opinião tem algumas falhas), mas o efeito que esse sistema de doutrinas causa nas pessoas.

    Um abraço!
  14. Ezequiel Gomes 29 de dezembro de 2011 14:47
    Não sou calvinista, entretanto eu jamais julgaria o calvinismo como "demoníaco" Esse tipo de juízo, me parece, vem de mentes pequenas e com pouco conhecimento da Palavra de Deus e das múltiplas possíveis implicações filosóficas que os textos bíblicos evocam sobre as questões da Soberania, Eleição, Graça, Liberdade, e todos os outros assuntos ligados com essa faceta do calvinismo, que é um sistema muito mais amplo do que a maioria conhece ou sequer imagina!!!
    Pessoalmente preguei um sermão intitulado: "Predestinação e Livre arbítrio: Uma só verdade" que expõe algumas formas incipientes de tentar harmonizar essas duas facetas da questão!

    segue o link com o sermão (em áudio) para quem se interessar em estudar mais!

    http://simvemsenhorjesus.blogspot.com/2011/11/predestinacao-e-livre-arbitrio.html

    Graça Paz!!!
  15. Marcelo André Mittelstädt 29 de dezembro de 2011 15:26
    O grande problema é a caricaturização, hoje temos uma visão caricaturizada do "Calvinista" e outra do "Arminiano". Normalmente quando vejo essas bobagens sendo ditas tipo: "Calvinismo é do diabo" ou "Livre-arbítrio é do diabo", noto que normamelte vem de quem tem muito pouco conhecimento das escrituras. Eu fico com a ilustração do Rev. Augustus Nicodemus da linha do trem. A predestinação e a responsabilidade humana são ambas doutrinas bíblicas, aos nossos olhos parecem ser paralelas, pois é um mistério de Deus sua verdadeira interpretação, mas lá no horizonte elas se encontrarão, e o horizonte é a glória eterna junto do Pai.
  16. Anamim Lopes Silva 29 de dezembro de 2011 16:30
    Qualificar o calvinismo como demoníaco e tão injusto quanto fazer mesmo com o arminharíamos. Falo como calvinista!