segunda-feira, maio 16, 2016

Os pastores e a influência do semipelagianismo na evangelização neopentecostal

Por Renato Vargens

Antes de tratar especificamente do post, julgo que seja necessário que uma rápida e singela explicação sobre o que é semipelagianismo.

O Semipelagianismo é a doutrina que  essencialmente ensina que a humanidade foi manchada pelo pecado, mas não ao extremo de não podermos cooperar com a graça de Deus com os nossos próprios esforços. Em outras palavras, esse ensino é em essência, aquilo que é denominamos de depravação parcial, o que é absolutamente contrario ao ensino bíblico da depravação total.

Pois é, talvez você esteja perguntando: O que esse ensino tem a ver com a evangelização? Qual a relação entre o semipelagianismo e a ação evangelizadora por parte de algumas igrejas? 

Primeiramente é mister explicar que boa parte dos pastores e igrejas acreditam (ainda que inconscientemente) que o homem pode buscar a Deus por sua livre e espontânea vontade, visto que o pecado original não maculou a sua capacidade de decisão. Nessa perspectiva, tais pastores e suas igrejas criam estratégias, estruturas, bem como métodos com fundo emotivo, visando assim a conversão dos incrédulos.

Eu mesmo já ouvi pessoas dizendo que uma boa peça de teatro, bem encenada e que tenha o poder de mexer com as emoções de quem as assiste, pode levar a pessoa a uma decisão por Cristo. Interessante é que o princípio da "comoção" se repete na construção de shows, apresentações musicais, ou outras atividades quaisquer, cujo objetivo final é a conversão do pecador.

Ora, o que esses pastores precisam entender é que o homem segundo a Bíblia encontra-se morto em seus delitos e pecados (Efésios 2:1-10) e que por si só não possui condições de converter-se a Cristo a não ser que tenha os seus olhos abertos pelo Senhor. Ademais, as Escrituras também ensinam que não existe ninguém que busque a Deus (Romanos 3:1-12), o que  destrói o conceito semipelagiano de que alguém pode por livre vontade ir ao encontro do Senhor.

O Semipelagianismo, o abandono das Escrituras e a relativização da evangelização

O abandono das Escrituras, como também o desconhecimento das doutrinas fundamentais do evangelho, aliado ao pragmatismo deste tempo, tem levado inúmeras igrejas a acreditarem que através de atividades lúdicas e cênicas pode influenciar a conversão do pecador. Nessa perspectiva, alguns chegam a afirmar que caso não haja eventos estratégicos os jovens jamais se converterão. Ora, vamos combinar uma coisa? Desde quando alguém possui poder de converter um pecador? 

O problema é que o semipelagianismo enraizou-se de tal forma na igreja brasileira que sem que se perceba os pastores difundem um tipo de evangelização fundamentado na capacidade do homem decidir por Cristo e não por uma ação exclusiva regenerativa proveniente do Espírito Santo. 

Para corroborar o que estou dizendo, outro dia eu ouvi alguém dizendo; "Vamos organizar uma balada gospel, com muita música e no meio do show a gente faz um apelo, e o cara se converte." Ora, isso é um exemplo claro de semipelagianismo na igreja, isto é, promove-se, um tipo de entretenimento, o cara fica emocionado e pimba, converte-se a Cristo.

Pois é, a coisa não é bem desse jeito. Ainda que Deus seja livre para salvar quem ele quiser e da forma que ele quiser, ele mesmo determinou que o método para a salvação do pecador é a pregação do evangelho, o qual deve ser anunciado de forma inteligível.

Isto posto, concluo que boa parte da igreja não tem entendido o evangelho como deveria entender e que para nossa tristeza, boa parte dos pastores pregam, ensinam e vivem o semipelagianismo.

Pense nisso!

Renato Vargens 



Samuel Aguiar disse...

Como de costume, esclarecedor!

Pessoas que não conseguem compreender texto, exemplo claro de quem não tem a leitura, bíblica ou não, como prática diaria, dirão que o post condena o teatro nas igrejas.

Que comece o mimimi goxpel.

Graca, misericódia e paz.

Noel Gomes disse...

Na verdade qualquer "culto" na igreja que não tenho como alvo único e exclusivo a adoração ao Deus soberano deveria ser proibido, culto só deve existir com o único e exclusivo intuito de adorar a Deus, cultos de família, libertação, crianças, idosos e etc, são contrários a bíblia
Agora, eventos que não sejam cultos e que tenham como objetivo a comunhão entre irmãos e não violem qualquer regra do cristianismo são sempre bem vindos.
O artigo está excelente, parabéns Reverendo.

Fillipe Dornelas disse...

Pr. Renato, estou totalmente de acordo.

Só gostaria de atentar pra um ponto: essa imagem de "Cristo" não seria um erro tentar de alguma forma representá-lo. Não é pra nós reformados uma atitude errada, visto que nos é mandado NÃO fazer imagens ?

Agradeço se puder responder, esta é uma pergunta em tom de dúvida e não de julgamento.

Paz.

Pastor Bovolini disse...

Olha desculpe, mas Deus pode sim através do Seu Espírito usar uma música emotiva, uma Palavra eloquente, assim como uma música agitada e uma Palavra simples para converter uma pessoa, sem que as pessoas que estejam envolvidas nisso, estejam necessariamente lançando mão do semipelagianismo. Creio que temos que partir para a simplicidade da pregação do evangelho, sem muita preocupação com terminologias teológicas.

Juliana Correia de Souza disse...

O fato é que infelizmente a igreja evangélica brasileira, salvo seu remanescente fiel à Palavra de Deus ensinada por Moises, os profetas, Cristo e os apóstolos; está longe de verdadeiro ensino bíblico e tem aceitado todo tipo de "fogo estranho" em seus cultos, com o objetivo de bater metas e agradar as pessoas.
Parabéns, pastor por mais um texto claro e direto sobre um assunto tão difícil de abordar que é a defesa da fé cristã. Deus abençoe irmão!

Samuel Aguiar disse...

"Creio que temos que partir para a simplicidade da pregação do evangelho..."

É justamente isso que o Pr. Renato vem afirmando. Simplicidade na pregação da palavra, bíblia pura, sem alegorias.

Abraço!

Sola Scriptura

Roberto Sousa disse...

Sempre leio suas postagens, e às vezes as compartilho.
Entretanto hoje decidi, pela primeira vez, fazer um comentário.

Acredito que a Salvação em Cristo é oferecida e não imposta.
Concordo com parte do texto, mas quando o amado diz: "Primeiramente é mister explicar que boa parte dos pastores e igrejas acreditam (ainda que inconscientemente) que o homem pode buscar a Deus por sua livre e espontânea vontade, visto que o pecado original não maculou a sua capacidade de decisão." E não pode?
Acredito que o pecado maculou totalmente o homem, mas não o suficiente para que o mesmo não seja responsável por suas escolhas.
Ora, o homem pode sim buscar a Deus e aceitar a Seu filho como salvador ou negligenciar a salvação.

Na Paz que excede todo entendimento.

Jorge Pereira disse...

Jo 6:37 Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora. É o Pai que escolhe quem vai levar a Jesus e não o contrário. Se o homem está em uma depravação total ele jamais escolherá a Cristo ao invés do pecado se Deus não o tocar e regenerar antes.

Roberto Sousa disse...

Irmão Jorge, em relação a essa passagem bíblica é essa a impressão que temos. Deus conduz (impõe sua salvação). Mas é também coreto afirmar que há outras em que o SENHOR apresenta duas situações e orienta que decisão tomar. Orienta e não impõe. (Mt 7.13,14); (Dt 30.15); (1 Rs 18.21).
Na paz que excede todo entendimento.

dioni moura disse...

Concordo plenamente com você meu irmão evangelho puro e simples é o que ta faltando.

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