domingo, fevereiro 03, 2013

Renan Calheiros, Carnaval e a bandalheira do Senado

Por Renato Vargens

As vésperas do Carnaval os senadores da República transformaram o Senado numa grande casa de pagode, isto porque, desavergonhadamente elegeram Renan Calheiros (PMDB-AL) para comandar a Casa pelos próximos dois anos. Vitorioso por 56 votos, presentes 78 senadores em Plenário, Renan assume pela segunda vez a presidência da Casa. Alagoano, nascido em 1955 na cidade de Murici, ele foi deputado estadual, duas vezes deputado federal e está no seu segundo mandato de senador. Calheiros também foi ministro da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso e, em 2007, renunciou à presidência do Senado em razão de acusações apresentadas ao Conselho de Ética da Casa.

Pois é, neste país tudo termina em samba ou futebol não é mesmo? Na verdade, parece que parte do povo brasileiro respira samba e futebol. Infelizmente nada nessa nação mobiliza tanto o cidadão como Carnaval, Copa do Mundo, mulheres nuas, muita bebida, além da enganosa impressão de que tudo vai muito bem à república tupiniquim.

Caro leitor,  sinceramente ouso afirmar que falta a muitos dos senadores vergonha na cara. Nosso país sofre em virtude da violência, nossas crianças são comercializadas, nossos trabalhadores escravizados, nossos pobres humilhados, nossas mulheres prostituídas, e estes "gentis" políticos elegem  Renan Calheiros para presidir o Senado? Mas tudo bem né? É carnaval! Viva o samba! Viva a bandalheira!

Fico a pensar o quão diferente poderia ser o Brasil, se o esforço e dedicação destinados as festas populares, fossem revertidos na construção de uma nação mais justa e equânime. Por que a mesma massa que lota o sambódromo em dias de Momo, não se mobiliza a favor da ética e da vida? Por que os milhões de pessoas que param defronte a TV, para assistir a um jogo da seleção brasileira, não se movimentam cobrando daquela “casa de tolerância”, denominada Congresso Nacional, moralidade e decência?

Sou obrigado a confessar que ao ouvir milhares de vozes em uníssono gritando entusiasticamente que é brasileiro e quem tem orgulho disso, me faz ter impressão de que infelizmente nos acostumamos a velha politíca do pão e circo.

Por favor, seja sincero, pare e pense: orgulho de que?

Como bem afirmou Affonso Romano de Sant'Anna, eu tenho é vergonha de ser brasileiro.

“Que vergonha, meu Deus!
Ser brasileiro e estar crucificado num cruzeiro
erguido num monte de corrupção.
Antes nos matavam de porrada e choque nas celas da subversão.
Agora nos matam de vergonha e fome exibindo estatísticas na mão.
Estão zombando de mim. Não acredito.
Debocham a viva voz e por escrito.
É abrir jornal, lá vem desgosto.
notícia é um vídeo-tapa no rosto.
vez é mais difícil ser brasileiro.”

Tenho vergonha deste país promiscuo, onde o jeitinho é quem dita as regras. Tenho vergonha dos políticos safados que se locupletam do poder publico, enriquecendo suas contas bancárias lixando-se para as dores dos pobres e miseráveis. Tenho vergonha dos contrabandistas, dos cafetões e cafetinas de colarinho branco, dos que traficam influência, de assassinos, terroristas, corruptos de todos os tipos que transformaram esta nação em covil de salteadores.

Que Deus tenha misericórdia do Brasil.

Enojado,

Renato Vargens
J Carlos Lopes disse...

Caro pastor Renato...sua analisa é muito relevante. Mas, por que deixou de fora dela o futebol? Futebol que emburrece, que desperta paixões, que cria animosidade, que é usado como massa de manobra, que estimula a muitos dos seus torcedores à violência insana e ao cometimento de vários crimes e que aglutina em torno de si gangues violentas...
Por diversas vezes vi governos se utilizando do futebol para fazer média com a população e com essa artimanha buscar o apoio dela (principalmente em época de copa do mundo).
Como país, como cidadãos, precisamos com urgência que a população brasileira tenha a sua mente renovada (e isso somente será possível através da pregação do evangelho genuíno), pois só assim poderemos ter e esperança de vivermos em um país mais justo, consciente de seus direitos e deveres, e livre da manipulação que tanto mal faz o povo brasileiro.

J. Carlos

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