quinta-feira, novembro 01, 2012

A hinologia evangélica e a teologia da vingança


Por Renato Vargens

A hinologia evangélica brasileira é muito complicada. Lamentavelmente boa parte dos nossos compositores não possuem uma boa teologia, o que contribui para o aparecimento de canções absolutamente antagônicas ao ensino das Escrituras. Um claro exemplo disso são as músicas cujo conteúdo incentivam o ódio e a vingança pessoal.

Veja por exemplo a canção "Sabor de mel" protagonizada pela cantora Damares: “Quem te viu passar na prova e não te ajudou, quando ver você na benção vão se arrepender. Vai estar entre a platéia e você no palco, Vai olhar e ver Jesus brilhando em você” 

Um outro exemplo é uma música da Rose Nascimento que sistematicamente tem sido entoada em boa parte das igrejas evangélicas do Brasil:

“Não se deixe ser levado pela voz do opressor. Ele só sabe acusar. Não se renda porque ele já perdeu  Agora é a sua vez de humilhar” 

Como é que é? Sua vez de humilhar? É isso mesmo? Quem te viu passar pela prova e não te ajudou vai se arrepender? Será que é isso mesmo que eu li?

Caro leitor, o reformador Martinho Lutero acreditava que a música é um excelente instrumento de divulgação de boa teologia, todavia, o que vemos em nosso país são composições desprovidas de boa doutrina, o que muitas das vezes faz com que a Igreja Tupiniquim cante conceitos completamente apostos a doutrina dos apóstolos.

Pois é, participar de alguns cultos é um verdadeiro desafio, isto porque as canções entoadas em nossos cultos são absolutamente desprovidas de graça. Infelizmente  numa liturgia preponderantemente hedonista, este tipo de evangélico é extravagante, quer de volta o que é seu, necessita de restituição, determina a prosperidade e  anseia por vingança.

Prezado amigo, sem sombra de dúvidas vivemos dias complicadíssimos onde o Todo-poderoso foi transformado em gênio da lâmpada mágica, cuja missão prioritária é promover satisfação aos crentes. Diante disto, precisamos orar ao Senhor pedindo a Ele que nos livre definitivamente desse louvor, filho bastardo da indústria mercantilista gospel, o qual nos tem nos empurrado goela abaixo, conceitos e valores anticristãos cujo objetivo final não é a glória de Deus, mas satisfação dos homens.

Definitivamente a coisa está feia! Minha oração é que o Senhor nosso Deus nos reconduza a uma adoração cristocêntrica extirpando das nossas liturgias esse louvor inconsequente que em nada contribui para o engrandecimento do nome do Senhor.

Soli Deo Gloria!


Renato Vargens
avoznodeserto disse...

Eu tenho nojo desta música Sabor de Mel.

Pr Anderson

Janise, Com ou Sem Crise disse...

Pois é né pastor, já não podemos mais pensar como o salmista quando ele diz: Ah! filha de babilônia, que vais ser assolada; feliz aquele que te retribuir o pago que tu nos pagaste a nós.
Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras.
Salmos 137:8-9

Pr Antonio Carlos disse...

Eu tenho nojo desta música Sabor de Mel.[2]

Pr Antonio

Fabiano P. Lima disse...

Querida Janise,

A diferença do salmista era que suas declarações expressavam uma confiança nas ações futuras de um Deus de justiça. Ou seja, mesmo oprimido, sabia que Deus era justo e que não deixaria o opressor impune. O salmista não estava com ódio dos inimigos, nem com água na boca para ver o dia em seus inimigos comeriam em sua mão, sentiriam inveja dele e seriam humilhados por ele.

Mas, como mostra este artigo, muitos crentes vivem com desejo de vingança no coração, ao invés de confiarem no Único ao qual pertença a vingança.

Não desejo a destruição dos meus opressores, nem vê-los na plateia me vendo enquanto desfilo vitorioso. Antes, desejo vê-los aos pés da cruz, sendo salvos por Cristo, como aconteceu comigo. É essa justiça feita na cruz que desejo.

Um grande abraço!

Pr. Fabiano Lima

tiagolinno disse...

Renato, excelente artigo. Que se espalhe essa visao para por fim ao humanismo que domina nossos cultos. Ate la, o boicote a essas musicas é nossa melhor arma.

Tiago Lino - Editor BLOG DO LINO

Edvaldo Tomé disse...

Irmã Janice, o Salmo destacado pela Sra. é considerado um salmo imprecatório (onde o autor pede a Deus que castigue os seus inimigos). Naquela ocasião, temos que verificar o contexto histórico, o povo estava cativo na Babilônia e a única válvula de escape seria pedir providência a Deus com cunho de vingança. Hoje já é diferente, pois Cristo disse que devemos amar os nossos inimigos, bendizer e não amaldiçoar. Entende a diferença? Deus abençoe.

Maykon Johny disse...

A cada dia que passa, nós, evangélicos brasileiros, estamos mais envergonhando do que honrando o nome de Deus nesta nação com nossa teologia mesquinha [da prosperidade, do curandeirismo, da venda de amuletos mágicos e indulgências modernas, da ordenação de "apóstolos" modernos e "tele-evangelistas" que exibem 5 contas bancárias diferentes para arrecadar fundos para suas "missões", da transformação do púlpito em palco, e, por vezes, em palanque eleitoral], com nosso testemunho mundano [que em nada difere dos ímpios, aos quais consideramos inferiores a nós. A "Bancada Evangélica" que o diga.] e com nossos "avivamentos" egocêntricos [repletos de barulho e gelo seco e vazios de humildade e arrependimento], e especialmente com nossa música, de baixíssima qualidade espiritual.

Por isso é que não adianta reclamar quando a mídia secular zomba e escarnece dos cristãos em suas tele-novelas e programas humorísticos. Nós fazemos por merecer o escárnio! Que Deus tenha misericórdia da Igreja Evangélica Brasileira! Que ela se arrependa de todo esse lixo que tem produzido e vendido ao mundo com o rótulo de "avivamento". Precisamos urgentemente de um avivamento de verdade, de uma autêntica reforma, que quebre essa ordem miserável das coisas, e que nos faça voltar para os caminhos antigos de onde nunca deveríamos ter saído.

Perdoe-me pelo longo desabafo, Pr. Renato Vargens.

Maykon

Janise, Com ou Sem Crise disse...

Pr. Fabiano e Edvaldo, quando disse que "já não podemos mais pensar como o salmista", era exatamente isso que queria dizer, pois temos um novo mandamento e estamos debaixo da graça, sei que toda "vingança" se for possível usar esse termo, pertence ao Senhor.
Talvez na minha pressa de postar o comentário não consegui expressar meu pensamento, peço perdão.
E deixo claro que concordo que os cânticos de hoje não falam muito da Palavra, não servem muito de adoração a Deus, mas para preencher os caprichos dos homens.
Acredito que todos aqueles que escrevem músicas e os que cantam deveriam observar a base bíblica.

Márcio disse...

Pastor,

Então mais uma para o "rol" da hinologia da vingança - é de um trecho da Pode ser você (Elaine de Jesus)

Se esqueceram, que o quadro vira
Se esqueceram, que a roda gigante gira
Uma hora está lá embaixo
Outra hora está lá em cima
A roda gigante gira

Daniel G.Lima Jr. disse...

Rapaz! As outras eu já conhecia (e repudiava), mas essa da roda gigante foi dose! Não cantamos essas músicas em nossa igreja. Estão literalmente banidas. Mas é uma pena, e nós pastores não podemos nos iludir: nosso povo está ouvindo isso todos os dias nas rádios. O negócio é estudar a Bíblia com a igreja, ensinar as Escrituras com seriedade, profundidade e amor, e salvar alguns desse pseudo-evangelho.

Jones de Lira disse...

Achei que era o único que não concordava com tantas músicas, como “Quem te viu passar na prova e não te ajudou, quando ver você na benção vão se arrepender. Vai estar entre a platéia e você no palco, Vai olhar e ver Jesus brilhando em você”. É como entoar o Salmo 151 http://goo.gl/l1VZJ

Nelma Cenciani disse...

Pensei que eu era a única a discordar das letras das atuais músicas "gospel"
Acho que os pastores deveriam ministrar cursos sobre música na Bíblia como foi realizado nos anos 80 em várias igrejas. Eu me lembro que o povo aprendeu muito a filtrar os louvores.Hoje é lindo ver dança na igreja, mas isso distrai a gente e atrapalha a concentração. Por outro lado, os dançarinos frequentam a igreja para se apresentar, já não basta os ídolos cantores "levita"?

Nelma Cenciani

Zilton Alencar disse...

Hoje, canta-se não o que Deus espera em um louvor genuíno a Ele, mas o que o povo quer ouvir. Os bezerros de ouro se reproduzem rapidamente, o rebanho cresce a cada dia!

Zilton Alencar disse...

Irmã Janice:

"Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e aborrecerás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; Para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão havereis? não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis demais? não fazem os publicanos também assim? Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus." (Mt 5:43-48).

Marcos Antonio disse...

Seria melhor colocar que a hinologia brasileira MODERNA é que é complicada. Sim, porque a antiga hinologia, nos tempos dos Salmos e Hinos, Cantor Cristão, Hinário Evangélico e semelhantes é muito mais doxológica de Cristo do que a moderna, que é doxológica do homem.
O povo evangélico moderno não gosta de clássicos, que não são elitistas, são apenas cânticos que expressam verdades centrais do cristianismo. Ah, mas verdades, doutrinas, o evangélico pietista de hoje não gosta. Por isso, há tanta puerilidade nas letras, que acabam contaminando até boas melodias e harmonias.
Tenho composto e gravado músicas cristãs e populares, mas não tenho a menor dúvida que elas jamais serão hits para o evangélico moderno. Eles estão mais para o "Ai, Se Eu te Pego" e lixos semelhantes.
Agora, por exemplo, no espírito das celebrações da paixão de Cristo, o que esse povo vai cantar? Com certeza não será "A AGONIA DO GETESÊMANI", conforme exposta no link a seguir: http://www.recantodasletras.com.br/audios/cancoes/54464

Lexs' disse...

Nem VENDO ou LENDO o nome da irmã (JanISE rimando com criSE - fácil de guardar - S = som de Z entre vogais)dá pra escrever correto? Pela coleção desses detalhes "bobos" o "povo que se chama pelo nome d'Ele" vai perdendo o respeito ladeira abaixo. Não se respeita mais nada!! Imagino o cuidado com assuntos menos importantes que nome de pessoas.
Continue com a boa obra.

Thiago Vieira disse...

Santas Palavras pastor! Ela poderia ter dormido sem essa.

anonimo disse...

Há muitas "musicas gospel" que baseiam suas mensagens basicamente no velho testamento onde o zelo de Deus pelo seu povo é extremamente radical, destruindo povos que se opunham aos seus escolhidos. A musica "sempre fiel" da Rose Nascimento é um exemplo. Mas a mensagem do Evangelho nos ensina a amar nossos inimigos (Mt 5.44) entretanto esta mensagem não é muito popular pelo fato de não agradar ao orgulho do ser humano.

Valdir disse...

Eu li o comentário e concordo que há muitas "musicas gospel" que baseiam suas mensagens basicamente no velho testamento onde o zelo de Deus pelo seu povo é extremamente radical, destruindo povos que se opunham aos seus escolhidos. A musica "sempre fiel" da Rose Nascimento é um exemplo. Mas a mensagem do Evangelho nos ensina a amar nossos inimigos (Mt 5.44) entretanto esta mensagem não é muito popular pelo fato de não agradar ao orgulho do ser humano.

j moura disse...

Amigo na minha bíblia não encontrei salmo 151!!!
So salmos ate150??

j moura disse...

Se for salmos so encontre ate 150???

César Henrique disse...

Eu vivo num meio pentecostais, pois conheço muitos que frequentam tais igrejas, e é esse o argumento que usam, já quis dizer que as letras como da damares são músicas que nutre o desejo de vingança, mas eles me recusam a ouvir, porque pra eles sempre é desejo de Deus exaltar o seus perante os opressores, e com isso eles usam vários exemplos do VT... E olha já ouvi cada música de vingança q a de Damares fica no "chinelo. " Kkkk, triste...

Caroline de Azevedo serapião disse...

Um belo desafio pra todos nós pensarmos e agirmos conforme suas palavras. Deus te abençoe hoje e sempre.

............................................................ disse...

Hinostentação!!!

Bin Laden disse...

Mesmo sendo leigo em teologia e raso nas santas escrituras, eu nunca engoli a música "sabor de mel", sempre me soou como algo negativo, como uma mensagem antopocentrica. Que Deus nos dê sabedoria para distinguir que vem Dele.

Jeferson Eduardo disse...

a hipocrisia , é uma coisa fantástica.... acusam, e julgam, quando na bíblia diz, com a mesma moeda será julgado !

Fagner Tajes disse...

"É proibido pensar" diria João Alexandre, que junto com Stênio Marcius e Jorge Camargo ainda lutam pelo louvor em forma de música.

Retrógrado disse...

Pois é,j Moura, ele citou salmo 151 porque o mesmo não existe. Meu detector de ironia apitou.

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