terça-feira, setembro 08, 2009

Escola Dominical uma estrutura em extinção?

Uma análise objetiva e sincera da da Escola Bíblica Dominical no Brasil.
Por Renato Vargens

O que hoje chamamos de Escola Bíblica Dominical teve como fundador o jornalista Robert Raikes (1735-1811). Raikes era natural da cidade de Gloucester, Inglaterra, e em 1757, aos vinte e dois anos, sucedeu o pai como editor do Gloucester Journal, um periódico voltado para a reforma das prisões. Nesta pequena cidade inglesa, onde vivia, a delinqüência infantil era um problema que parecia insolúvel. Menores trabalhavam em minas de carvão de segunda a sábado, tinham pouca ou nenhuma escolaridade, comportavam-se mal e envolviam-se em todo tipo de delitos e confusões. Raikes, preocupado com o que via começou convidar os pequenos transgressores para que se reunissem todos os domingos para aprender a Palavra de Deus. Juntamente com o ensino religioso, aprendiam disciplinas seculares, como matemática, história e inglês.

Vale a pena ressaltar que nessa época, estava ocorrendo na Inglaterra um avivamento, com sua forte ênfase social.

A idéia de Raikes rapidamente se alastrou pelo país. Apenas cinco anos mais tarde, em 1785, foi organizada em Londres uma sociedade voltada para a criação de escolas dominicais. Um ano depois, cerca de 200.000 crianças estavam sendo ensinadas em todo a Inglaterra. No princípio os professores eram pagos, mas depois passaram a ser voluntários. Da Inglaterra a instituição foi para o País de Gales, Escócia, Irlanda e Estados Unidos.

No Brasil a Escola Bíblica Dominical foi fundada pelos Congregacionais Robert e Sarah Kalley em Petrópolis, no dia 19 de agosto de 1855. Sarah Kalley havia sido grande entusiasta desse movimento na sua pátria, a Inglaterra. A primeira escola dominical presbiteriana foi iniciada pelo Rev. Ashbel Green Simonton em maio de 1861, no Rio de Janeiro. Reunia-se nos domingos à tarde, na Rua Nova do Ouvidor. Essa escola aparentemente foi organizada de modo mais formal em maio de 1867. Um evento comum em muitas igrejas presbiterianas brasileiras nas primeiras décadas do século 20 era o “Dia do rumo à escola dominical”, quando se fazia um esforço especial para trazer um grande número de visitantes.

154 anos se passaram desde que os Kalley organizaram a EBD no Brasil, e de lá para cá muita água passou debaixo da ponte. Sem titubeios afirmo que inúmeras gerações foram impactadas pelo ensino das doutrinas bíblicas nas salas de aula das escolas dominicais esparramadas pelo nosso imenso território nacional. Hoje, em detrimento a pós-modernidade, o que era absoluto foi relativizado. Os que outrora pregavam sobre a importância da EBD, não o fazem mais. Para piorar a situação, os crentes optaram por fazer do domingo o seu dia de lazer deixando em segundo plano o estudo da Palavra de Deus.

Ouso afirmar que a igreja do século XXI é menos preparada e qualificada a explicar a razão da sua fé aos incrédulos do que as gerações passadas. Como já escrevi anteriormente parte da igreja brasileira, prefere shows e entretenimento gospel a dedicar tempo estudando a Bíblia numa escola dominical.

A conseqüência direta disso é a multiplicação de doutrinas espúrias, como quebra de maldições hereditárias, unções escalafobéticas como a do cachorro, da águia e outras mais, além obviamente do ressurgimento de heresias do passado.

Tenho percebido que em vários lugares deste país, as igrejas abandonaram o hábito de se reunirem aos domingos pela manhã em Escola Bíblica Dominical. Segundo os pastores que mudaram suas rotinas eclesiásticas de suas comunidades, as razões para tal se devem ao novo mundo em que vivemos que por razões obvias exige mais dos seus cidadãos, o que impossibilita ida do crente a igreja duas vezes no mesmo dia.

Bom, até entendo que o mundo é outro, e que alguns conceitos precisam ser revistos, todavia, será que o fato de negligenciarmos o ensino bíblico não aponta para uma inversão na escala de valores do cristão? Será que a pós-modernidade e os conceitos filosóficos do hedonismo não têm contribuído diretamente por um cristianismo mais light onde que importa é o desenvolvimento de uma relação com um Cristo bonachão? E o movimento gospel? Não tem ele contribuido para a banalização da fé em Cristo?

Caro leitor, Tenho plena convicção de que a Igreja de Cristo precisa regressar a Palavra. Para tanto, torna-se indispensável que reconheçamos que não nos será possível construirmos um cristianismo relevante em nosso país sem que conheçamos as doutrinas cristãs.

Isto posto, oro na expectativa de que os pastores da igreja evangélica brasileira não niglegencie a Escola Bíblica Dominical, antes pelo contrário, incentivem os membros de suas comunidades locais a dedicarem suas vidas ao estudo da Palavra de Deus, até porque, agindo assim evitaremos alguns desvios doutrinários e comportamentais.

Pense Nisso!

Renato Vargens

Anônimo disse...

Amém !!!

Após aceitar Jesus(em uma reunião de estudo bíblico, no trabalho) me tornei membro de uma igreja que não tinha ED, era "moderna", possuíamos muitas atividades sociais (festas, jantares, retiros, etc) ..... Passei 11 anos nesta igreja e creio que só "conheci o Evangelho" há mais ou menos 6 anos quando me aprofundei no estudo da Palavra. Agradeço a Deus pelos irmãos que dividem seu conhecimento, pela internet, pois ao longo destes anos tem me ajudado muito. Hoje faço parte de uma igreja tradicional, com poucos membros (temos ED) e nosso mestre é uma bênçao um homem de Deus (na casa dos 70 anos) que conhece a palavra, como poucos, e ainda lê muito, realiza pesquisas; amo quando o irmão Antonio interrompe alguns dos nossos comentários e demonstra "na Palavra" a direção a ser tomada.
Caro, Pr. Renato, muito obrigada pelo texto, receba a Paz do Nosso Senhor !!!!

ELiana

wilma acioly disse...

Amo a Escola Dominical e creio ser nela que aprendemos melhor a Palavra de Deus. Fico triste em saber que tem igrejas que não adotam ou estão deixando a pratica, não são igrejas na essencia da palavra, são clubes.Ir a igreja deve ser motivo de alegria, de comunhão, de aprendizado, somos o corpo de Cristo, como teremos forças pra vencer o inimigo se não conhecemos a Bíblia, se não a estudamos. E o melhor local é na Escola Biblica Dominical. Deus abençoe a todos !

Renato Vargens disse...

Prezada wilma,

Uma das "desculpas" usadas para o cancelamento da EBD é diminuição de pessoas nas aulas. Outra desculpa é que as células suprem essa necessidade. Bom, como diz a sabedoria popular: "uma coisa é uma coisa, outra coisa, é outra coisa."

Tanto a EBD e as células não são auto-excludentes, ambas possuem sua importância na edificação do povo de Deus.

Abraços,

prjulio disse...

Assino, carimbo e ponho o RG em baixo.

Dougllas knnor disse...

muito bom, como dito por vc na celula hj !

Anônimo disse...

Estou saindo de uma igreja em células, com mais de 5000 membros: e digo regredi muito nesse periodo de 5anos, pois fica tudo na superficie e no oba oba, sem falar do profissionalismo de ministérios.estou indo para uma igreja pequena e simples. sem modismos, onde eu possa estar mais perto do Meu Deus. A paz, e parabens pelo blog. sempre passo por aqui.

Presb. Fabio Scofield disse...

Pr. Renato, nunca perca esta visão; Eu amo a E.B.D desde os primeiros dias da minha conversão a Cristo. E para ser mais sincero,no prímeiro momento eu não gostei do culto evengelico, achei a liturgia um pouco confusa, e cheguei até duvidar.Más quanto participei da Escola Bíblica; eu me apaixonei como uma criança.Estudei a Bíblia em busca de uma verdade espressa em(Jo8:31,32). Me tornei professor de E.B.D na clásse de discipulado, preparei vinte e oito irmãos para o batismo nas àguas.E hoje como dirijente de congregação, eu já dei aula até para mendigos por falta de alunos, mesmo assim, me sentir gratificado por aquela oportunidade que Deus me concedeu naquele dia.
Deus te abençõe.........

Presb. Fabio Scofield disse...

Ola Pr. Renato, que a Paz do nosso Senhor Jesus Cristo esteja sobre a sua vida, sua família e seu ministério.
Minha família e eu,confessamos nos fé em Cristo, num culto doméstico. Mas meu verdadeiro encontro com Deus se deu na escola diminical, me a opaixonei como criança.

Deus te abençõe...........

Neoprotestante disse...

Renato, a EBD de fato tem morrido nas igrejas onde a pregação e a preocupação com a exposição da Palavra já foram enterradas em função das novas doutrinas.
Na igreja onde estou há 20 anos, Assembleia de Deus Bom Retiro, tida por muitos como uma igreja de eventos, festas e oba-oba, temos dominicalmente 350 alunos divididos em 12 classes para adultos, mais o depto. infantil. 350 alunos, vocês leram certo.
No biênio 2011-2012 estamos fazendo um esforço para resgatar a "cultura da EBD", chamando de ESCOLA BÍBLICA A 100, i. é, escola para mil alunos em 2 anos (veja parte do projeto http://neoprotestante.blogspot.com/2011/02/escola-biblica-1000.html).
Nossa realidade comporta isso, não são números evangelásticos nem metas celestiais, da qual já fui acusado. Entram em nossa igreja 1900 pessoas anualmente, nvos conversos e reconciliações. chega a ser tímida a minha meta. Assim, com isso, quero incentivar a todos os professores e superintendentes de EBD, como eu, a acreditarem no ensino, na EBD e a adaptarem essas ideias às suas realidades, bebaixo de oração e jejum, para promovermos um reavivamento por meio do ensino. Certamente isto está no coração de Deus.
Abraço,
Magno Paganelli

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