terça-feira, novembro 13, 2018

ESCOLA DOMINICAL, UMA ESTRUTURA EM EXTINÇÃO?




O que hoje chamamos de Escola Bíblica Dominical teve como fundador o jornalista Robert Raikes (1735-1811).  

Raikes era natural da cidade de Gloucester, Inglaterra, e em 1757, aos vinte e dois anos, sucedeu o pai como editor do Gloucester Journal, um periódico voltado para a reforma das prisões. Nesta pequena cidade inglesa, onde vivia, a delinquência infantil era um problema que parecia insolúvel. Menores trabalhavam em minas de carvão de segunda a sábado, tinham pouca ou nenhuma escolaridade, comportavam-se mal e envolviam-se em todo tipo de delitos e confusões. Raikes, preocupado com o que via começou convidar os pequenos transgressores para que se reunissem todos os domingos para aprender a Palavra de Deus. Juntamente com o ensino religioso, aprendiam disciplinas seculares, como matemática, história e inglês. 

Vale a pena ressaltar que nessa época, estava ocorrendo na Inglaterra um avivamento, com sua forte ênfase social. 

A idéia de Raikes rapidamente se alastrou pelo país. Apenas cinco anos mais tarde, em 1785, foi organizada em Londres uma sociedade voltada para a criação de escolas dominicais. Um ano depois, cerca de 200.000 crianças estavam sendo ensinadas em todo a Inglaterra. No princípio os professores eram pagos, mas depois passaram a ser voluntários. Da Inglaterra a instituição foi para o País de Gales, Escócia, Irlanda e Estados Unidos. 

No Brasil a Escola Bíblica Dominical foi fundada pelos Congregacionais Robert e Sarah Kalley em Petrópolis, no dia 19 de agosto de 1855. Sarah Kalley havia sido grande entusiasta desse movimento na sua pátria, a Inglaterra.  

A primeira escola dominical presbiteriana foi iniciada pelo Rev. Ashbel Green Simonton em maio de 1861, no Rio de Janeiro. Reunia-se nos domingos à tarde, na Rua Nova do Ouvidor. Essa escola aparentemente foi organizada de modo mais formal em maio de 1867. Um evento comum em muitas igrejas presbiterianas brasileiras nas primeiras décadas do século 20 era o “Dia do rumo à escola dominical”, quando se fazia um esforço especial para trazer um grande número de visitantes. 

154 anos se passaram desde que os Kalley organizaram a Escola Bíblica Dominical no Brasil, e de lá para cá muita água passou debaixo da ponte.  

Sem titubeios afirmo que inúmeras gerações foram impactadas pelo ensino das doutrinas bíblicas nas salas de aula das escolas dominicais esparramadas pelo nosso imenso território nacional.   

Hoje, em detrimento a pós-modernidade, o que era absoluto foi relativizado. Os que outrora pregavam sobre a importância da Escola Bíblica, não o fazem mais. Para piorar a situação, os crentes optaram por fazer do domingo o seu dia de lazer deixando em segundo plano o estudo da Palavra de Deus, o que por si só tem feito estragos inomináveis.  

Para corroborar com a premissa de que a Escola Bíblica encontra-se em declínio no Brasil, Em minhas viagens por esse imenso país, tenho perguntado aos pastores como anda a Escola Bíblica em suas igrejas e a resposta sempre tem sido a mesma, isto é, pouca gente interessada. Na verdade, excluindo as igrejas no interior, boa parte das Igrejas no Brasil tem tido uma assiduidade de menos 40% de participantes, o que se deve a uma série de fatores, senão vejamos: 

1- A agenda das pessoas está bem mais complicada do que há 20 anos atrás. Escola, universidade e trabalho tem exigido muito mais tempo do cidadão que outrora. 

2- Num tempo onde o pragmatismo e o hedonismo se mostram presentes, para muitos cristãos dedicar tempo estudando a Palavra de Deus tornou-se "contraproducente." 

3- O Secularismo produziu um certo tipo de encanto nos crentes, levando-os a pensar que pelo fato da vida ser curta, torna-se mister dedicar tempo aos prazeres deste mundo e não efetivamente ao estudo das Escrituras. 

4- O despreparo dos professores que por desconhecerem a Bíblia e a boa teologia não conseguem trazer respostas as perguntas que estão sendo feitas pelos crentes em Jesus.  

5- Pela incapacidade dos pastores e da igreja de gerarem conteúdo programático salutar que ao mesmo tempo aborde as doutrinas fundamentais à fé cristã, como também ofereça ao crente uma cosmovisão bíblica sobre temas emblemáticos ao nosso tempo e sociedade.  

Isto posto, penso que diante deste hercúleo desafio é fundamental que:  

1- Que a Igreja e seus pastores entendam que a Escola Bíblica não precisa necessariamente ser dominical, o que em outras palavras me faz pensar que a Escola Bíblica pode funcionar, se necessário, em outro dia da semana, desde que atenda é claro, as demandas da comunidade local.  

2- Que os pastores e igrejas invistam, treinem e capacitem professores para o desenvolvimento da missão de ensinar os cristãos com graça, qualidade e profundidade bíblica-teológica. 

3- Seja elaborado um diferenciado conteúdo programático onde uma cosmovisão bíblica sobre temas nevrálgicos ao nosso tempo é apresentada aos alunos, contrapondo-se assim aos valores defendidos por uma geração absorta em valores anti e pós cristãos.  

4- Que em vez de aulas sequenciais fundamentadas numa revista somente, a igreja ofereça módulos distintos onde temas distintos são discutidos à luz das Escrituras. 

Concluo dizendo que  tenho plena convicção de que diante dos desafios da nossa era, bem como complexidades da sociedade que estamos inseridos, mais do que nunca a Igreja de Cristo precisa regressar a Palavra de Deus. Para tanto, torna-se indispensável que reconheçamos que não nos será possível construirmos um cristianismo relevante em nosso país sem que dediquemos tempo ao estudo das Escrituras. 

Isto posto, oro na expectativa de que os pastores da igreja evangélica brasileira não negligencie a Escola Bíblica, antes pelo contrário, incentivem os membros de suas comunidades locais a dedicarem suas vidas ao estudo da Palavra de Deus, até porque, agindo assim evitaremos alguns desvios doutrinários e comportamentais. 

Pense Nisso! 

Renato Vargens
Fábio Peres disse...

Pastor, muitas Igrejas tem adotado a prática de fazer Escola Bíblica Dominical à tarde, próximo do horário do culto - seja de manhã ou à noite.

Não é uma "boa prática" que a Igreja poderia adotar?

Paulo Silva disse...

Pasyor, sou professor de ED e sei o como é difícil este trabalho, o problema em muitos casos são as revistas, por exemplo a revista que leciono em sua maioria são lições para obreiros e aí eu preciso fazer um malabarismo danado para aplicá -las aos.ouvintes simples, e tbm vejo que os pastores designa professores sem o mínimo preparo quando não tbm o próprio pastor não tem preparo e nem se preocupa em buscar preparo.

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